Lançamento da coleção Folia de papel

convite do lançamento

Convido a todos para o lançamento da coleção Folia de Papel (Jujuba Editora), coordenado por Edith Derdyk. O projeto gráfico, da Entrelinha Design, possui uma linguagem solta e sucinta e é marcado por um duo de cores em cada edição.

A coleção traz 6 títulos, cada um desenhado por um grande artista: Edith Derdyk, Andrés Sandoval, Laura Teixeira, Aline Abreu e Carlos Matuck. Cada artista com seu estilo, traz para o todo uma diversidade visual e criativa, sem perder a personalidade única para cada livro.

capas da coleção

Cada livro da coleção Folia de Papel, de temáticas infantis, é composto por uma pasta e duas folhas de miolo (uma colorida e outra PB) no formato A3 com faca especial. A folha de miolo possui um recorte que possibilita uma grande variação de dobras e, por consequência, muitas maneiras de leitura do livro, o que aguça a criatividade do leitor. Trata-se de um livro não-convencional, um livro-objeto, em que a criança/leitor adquire uma atitude ativa no manuseio.

A criança é convidada, portanto, a criar sua própria história com um único pedaço de papel, que possibilita, por conta das dobras, diversas leituras. Vejam uma história inventada a partir do edição de O gato, o novelo e o passarinho, de Edith Derdyk, que aqui se transformou em O gato danado e o pássaro catástrico.

http://www.videolog.tv/Entrelinha

Não percam, dia 01 de outubro, 16h, na livraria da vila da Fradique. Espero vocês lá.

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Steinberg na Pinacoteca

Exposição “Saul Steinberg: as aventuras da linha” – imperdível!

Do site da Pinacoteca: “Saul Steinberg ficou conhecido por, usando às vezes uma única linha, questionar em seus desenhos o papel das rotinas, a vida que levamos. A exposição revela ainda um pouco da lógica do trabalho do artista: o aspecto “serial” de sua criação. (…)

Em Saul Steinberg: as aventuras da linha, também estão expostos os desenhos murais que o artista criou para a Trienal da Milão, de 1954. São quatro desenhos em rolos de papel em formato ousado e proporções arquitetônicas que até então nunca foram expostos em conjunto: A linha, com 10 metros de comprimento, Tipos de arquitetura, com 7 metros, Litorais do Mediterrâneo, com 5 metros, e Cidades da Itália, com 3 metros. Todos possuem cerca de 45 cm de altura. Também integram a mostra dois trabalhos com inspiração brasileira: Pernambuco, uma mistura de personagens, bichos e motivos locais; e Grande Hotel de Belém, ambos realizados não propriamente no Brasil, mas a partir de desenhos de anotação e de cartões-postais colecionados por Steinberg durante uma viagem pelo país em 1952.”

Veja mais em www.pinacoteca.org.br/pinacoteca/default.aspx?c=exposicoes&idexp=564&mn=100

folder-móbile

Novo lançamento da Entrelinha: folder e cartão de visita de Simone Gaião, professora de natação para bebês, de hidrogestante e mentora do programa de orientação para gestantes. Para entrar no clima da maternidade, sem cair na armadilha de “fazer tudo com cara de bebê”, foi desenvolvido, levando em conta o universo infantil, um folder em formato de móbile. Apesar da forma de peixinhos, que remete diretamente à ideia de água, o móbile é dirigido para as mães (e pais) e não aos bebês. Por isso, o tratamento visual não é infantilizado, mas valorizado com um belo grafismo de água, no estilo de gravura japonesa, revelando a influência nipônica no trabalho (watsu) – e no jeito de ser – de Simone.

A faca especial do folder possibilitou o aproveitamento de papel na lateral, onde incluimos a impressão do cartão de visita em forma de círculo. Sendo assim, o cartão acabou saindo “de graça”.

o poder das cores

As cores são uma das ferramentas mais importantes no design gráfico, pois são capazes de transmitir sensações de diferentes formas: sutil, marcante, provocativa. Para realmente serem eficientes e transmitir um conceito, as cores devem ser aplicadas de forma objetiva.

A percepção visual não é imediata. Para a captação de uma imagem é necessário o tempo de latência, período que uma mensagem demora para atravessar um sistema, ou seja, do momento em que a informação é vista pela retina até o seu envio ao cérebro. Esse tempo de latência varia de acordo com as cores.

As cores quentes demandam tempo de latência menor do que as cores frias, porque o comprimento de suas ondas é maior. Dessa forma, são percebidas mais rapidamente.

O vermelho apresenta o maior comprimento de onda do espectro colorístico: aproximadamente 700 milimícrons (unidade de comprimento, equivalente à milésima parte de 1 mícron). Já na extremidade oposta do espectro, encontra-se o violeta, com o menor comprimento de onda: cerca de 400 milimícrons.

Um exemplo disso é o “fenômeno dos corações flutuantes” (abaixo), de Hermann Helmholtz (1821-1894), médico e físico alemão que estudou esse conceito e o comprovou com um desenho de pequenos corações vermelhos pintados sobre um fundo azul. Os diferentes tempos de latência do vermelho e do azul provocam um descompasso que cria a sensação de flutuação dos corações.

O tempo de latência é, portanto, um dos fatores que o designer deve considerar na escolha de uma paleta de cor. Outros conceitos são igualmente importantes na escolha das cores: conhecimento de sua simbologia, a relação fisiológica e psicológica com o ser humano, a relatividade entre as cores (a influência que uma cor exerce sobre a outra). Mas esses são assuntos para os próximos posts.

computador: mocinho ou vilão?

Recebi um comentário oportuno, que me fez escrever sobre esse grande aliado do nosso dia-a-dia: o computador. Em tarefas cotidianas, para muita gente, é impossível pensar em realizar coisas sem a ajuda do computador. Mas vamos nos ater ao uso do computador no trabalho das artes gráficas.

Em especial nessa área, o computador tornou-se item fundamental para nosso trabalho. Existem muitas maneiras de se realizar o processo de criação para um trabalho. No entanto, não podemos negar que em algum momento desse processo, entra o computador. Quando sua função é acelerar o processo de produção de uma ideia ou possiblitar a experimentação, por exemplo, o computador é visto com bons olhos, já que transforma-se numa ótima ferramenta de trabalho.

Em declaração ao premiado documentário Helvetica (assunto para outro post), Win Crowell, renomado designer modernista, diz que na década de 50/60, quando os computadores não faziam parte de nossa vida, para fazer experiências com sobreposições de elementos, por exemplo, era preciso dias e dias de trabalho. Já hoje, em 30 minutos, você pode experimentar vários filtros no Photoshop. E quando algo dava errado, era necessário começar do zero. Um mundo sem undo! Por outro lado, ele logo emenda: o computador pode acelerar incrivelmente a produção do seu trabalho, mas não o faz por você.

Da mesma opinião (e talvez esse seja o único ponto de convergência entre eles) partilha o também designer David Carson. Pós-moderno de carteirinha, Carson diz que não adianta ter o computador mais potente ou os programas mais atuais, pois o computador não cria no lugar do designer. Há que ter “o olho”.

É nesse ponto que a coisa muda. É aí que o computador passa de bom moço a vilão. Se nos aliarmos ao computador para que ele seja mais do que uma ferramenta para executar nossas ideias, há grandes chances de ele tornar-se o vilão da história. Isso porque o computador não cria, não tem ideias, não elabora um conceito. Essa tarefa é exclusiva do ser humano. E mais, o computador impede níveis mais profundos de pensamentos, uma vez que sua resposta é imediata. Muitas vezes, essa resposta rápida torna-se também superficial e pouco consistente.

Para concluir, o computador é realmente bom moço e vilão, depende do uso que fizermos dele. É preciso ficar atento à essa linha tênue que delimita o caráter do computador nosso de cada dia.