computador: mocinho ou vilão?

Recebi um comentário oportuno, que me fez escrever sobre esse grande aliado do nosso dia-a-dia: o computador. Em tarefas cotidianas, para muita gente, é impossível pensar em realizar coisas sem a ajuda do computador. Mas vamos nos ater ao uso do computador no trabalho das artes gráficas.

Em especial nessa área, o computador tornou-se item fundamental para nosso trabalho. Existem muitas maneiras de se realizar o processo de criação para um trabalho. No entanto, não podemos negar que em algum momento desse processo, entra o computador. Quando sua função é acelerar o processo de produção de uma ideia ou possiblitar a experimentação, por exemplo, o computador é visto com bons olhos, já que transforma-se numa ótima ferramenta de trabalho.

Em declaração ao premiado documentário Helvetica (assunto para outro post), Win Crowell, renomado designer modernista, diz que na década de 50/60, quando os computadores não faziam parte de nossa vida, para fazer experiências com sobreposições de elementos, por exemplo, era preciso dias e dias de trabalho. Já hoje, em 30 minutos, você pode experimentar vários filtros no Photoshop. E quando algo dava errado, era necessário começar do zero. Um mundo sem undo! Por outro lado, ele logo emenda: o computador pode acelerar incrivelmente a produção do seu trabalho, mas não o faz por você.

Da mesma opinião (e talvez esse seja o único ponto de convergência entre eles) partilha o também designer David Carson. Pós-moderno de carteirinha, Carson diz que não adianta ter o computador mais potente ou os programas mais atuais, pois o computador não cria no lugar do designer. Há que ter “o olho”.

É nesse ponto que a coisa muda. É aí que o computador passa de bom moço a vilão. Se nos aliarmos ao computador para que ele seja mais do que uma ferramenta para executar nossas ideias, há grandes chances de ele tornar-se o vilão da história. Isso porque o computador não cria, não tem ideias, não elabora um conceito. Essa tarefa é exclusiva do ser humano. E mais, o computador impede níveis mais profundos de pensamentos, uma vez que sua resposta é imediata. Muitas vezes, essa resposta rápida torna-se também superficial e pouco consistente.

Para concluir, o computador é realmente bom moço e vilão, depende do uso que fizermos dele. É preciso ficar atento à essa linha tênue que delimita o caráter do computador nosso de cada dia.

2 thoughts on “computador: mocinho ou vilão?

  1. Obrigada pelo post, muito oportuno e relevante. Concordo plenamente. Vivo abduzida pelo computador, o que me causa grande estresse, porque da mesma forma que ele maximiza nossas atividades, ele acaba criando tantas outras mais. No caso das crianças, mais ainda, acaba tolhendo a criatividade e a expressividade quando não utilizado de forma equilibrada. Infelizmente crianças não tem autonomia suficiente para saber o que lhes é bom ou não, então o controle acaba sendo inevitável. E nestas de proibir programas, comunidades sociais (prá crianças! que tiram todo o caráter real da bricandeira, da interatividade, sinto muito quem curta!) e games tem se mostrado uma atitude positiva de forma que, “no tédio”, meu filho acabou criando alternativas para poder dar vazão a sua criatividade, encontrando formas de usar o computador de forma mais saudável. Então, há que se medir sempre o quanto o computador pode invadir a nossa vida e influenciar inclusive em nossa sanidade mental! Eu já estou contaminada, infelizmente, mas há de chegar um dia em que conseguirei um maior equilíbrio virtual!

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