antechamber: tipografia free

Tipografia Antechamber, para download, de graça: http://www.alexvaranese.com/work/antechamber

Veja o video de divulgação: http://vimeo.com/31087912

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livro de contos

Lançamento do livro Quem dera ter tempo, de Selma Perez – que traz uma compilação de contos surpreendentes, acompanhados por lindas fotos de Beatriz Pontes – acontece no dia 03/11/2011, quinta-feira, a partir das 18h30, na Livraria da Vila da Fradique. Projeto gráfico da Entrelinha, um grande prazer participar desse trabalho.

Vejo vocês por lá!

Saiba mais em: www.quemderatertempo.wordpress.com

Abaixo, a capa e algumas duplas do livro.

Goethe: filósofo das cores

O filósofo alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)  iniciou seus questionamentos sobre as cores por volta de 1790, quando esse assunto restringia-se somente à ciência, já que a cor era vista como particularidade física da luz, segundo a concepção de Isaac Newton.

Preocupado com a influência das cores no âmbito psicológico e fisiológico, em um contexto amplo das cores trabalhando em conjunto sob influências diversas, Goethe contestou a visão mecanicista de Newton, cuja teoria era estruturada em conceitos científicos. Investigando o comportamento dos fenômenos isolados, as experiências de Newton eram feitas sob condições controladas de luz, em salas escuras, sem influência exterior. Goethe, ao contrário, fez suas experiências em ambientes abertos, ao ar livre, considerando a ação do homem e da natureza.

Em sua teoria das cores, Goethe interpreta que, para que haja equilíbrio e harmonia em uma composição, deve haver uma proporção entre as cores, e isso depende da luminosidade de cada uma delas. Quanto mais luminosa a cor, menos ela será utilizada na composição. Por exemplo, na figura abaixo, o amarelo, cor que apresenta maior luminosidade do que as outras, ocupa 17% do espaço. Já o azul preenche um espaço maior (47%) e o vermelho, 36%, respeitando a proporção de 3 : 6 : 8. No entanto, quando misturadas, as cores se equilibram.

Além da proporção entre as cores primárias (3 : 6 : 8), o filósofo alemão descreve também a relação equilibrada para as cores complementares (4 : 6 : 9).

Por não comprovar cientificamente suas teses, sua Doutrina das Cores caiu em descrédito na comunidade científica e não despertou interesse entre os artistas da época. No entanto, suas observações foram resgatadas no início do século XX entre os estudiosos da Gestalt. Professores da Bauhaus também se interessaram pela doutrina de Goethe para elaborar suas próprias teorias.

sorteio de livro

Haverá um sorteio do livro Fundamentos gráficos para um design consciente (de Raquel Matsushita, Musa Editora, 2011, 352 páginas), aqui no blog da entrelinha. Basta cadastrar seu email no blog, em “novidades por email” e pronto. Você receberá, por email, um número a ser sorteado pela loteria federal (data a definir). Caso seu número seja sorteado, você receberá o livro pelo correio.

Participem!

Abaixo, um preview de algumas páginas do livro.

capa do livro

a arte da composição

Para um bom resultado no trabalho do designer gráfico, não basta uma boa ideia em mente. É preciso saber como dar forma a ela. As escolhas do designer darão corpo ao conteúdo.

A harmonia da composição é fator determinante para chamar o olhar e a atenção. Quando bem compostas, as páginas são capazes de atrair e prender o olhar do leitor. A proporção entre os elementos que compõem uma página impressa, por exemplo, é o segredo da harmonia da composição. Essa hierarquia dos objetos é capaz de orientar o nosso olhar.

A composição deve organizar e distribuir todos os elementos que farão parte do projeto. Para tanto, é necessária a criação de um esquema estrutural, com definições de margens, colunas e mancha de texto, o que seria o “esqueleto” da obra. Essa estrutura é a base para a boa comunicação, pois define as proporções e o equilíbrio entre os elementos que compõem o projeto, além de orientar as linhas de força.

Razão áurea

Uma das proporções consideradas mais harmônicas e agradáveis que existem é a chamada regra de ouro (ou razão áurea). Ela tem como módulo a proporção matemática Phi (pronuncia-se fi; não confundir com o número Pi ou π , no alfabeto grego). A proporção Phi, cujo valor é 1,618033989, é considerada o número de ouro. O nome Phi homenageia o arquiteto grego Phidias (490-430 a.C.), construtor do Partenon, o templo da deusa grega Atena, do século V a.C. As medidas do Partenon apresentam diversas proporções da razão áurea.

o Partenon, construído pelo grego Phidias, é um exemplo na arquitetura de composição harmônica

O número de ouro é extraído da série de Fibonacci, criada pelo grande matemático italiano da Idade Média Leonardo Pisano (1170-1250), também conhecido por Fibonacci. Essa série consiste em uma sequência de números, tais que, definindo os dois primeiros números como sendo zero e 1, os números seguintes são obtidos por meio da soma dos seus dois antecessores:

0:1:1:2:3:5:8:13:21:34:55:89:144:233…

Para encontrar o ponto de ouro numa reta AB (veja figura abaixo), divide-se a reta ao meio, em duas partes iguais, determinando o ponto C. Transporta-se a reta CB perpendicularmente sobre o ponto B, criando-se o ponto D. Com o centro em D e raio DB, obtém-se um círculo. Com o centro em B e raio DB, obtém-se outro círculo. O encontro desses círculos forma o ponto E. Por último, com centro em A e raio AE obtém-se outro círculo. Respeitando a circunferência do círculo com centro em A, transporta-se o ponto E para a reta AB. Este é o ponto de ouro da reta AB.

A partir do ponto de ouro, determina-se a seção de ouro na reta AB, que serve de base para a estrutura do retângulo áureo, também chamado retângulo dourado ou retângulo de ouro. Considerado o retângulo perfeito, no qual a proporção entre o comprimento e a largura é aproximadamente o número Phi, ou seja, 1,618, foi – e ainda é – amplamente utilizado em várias áreas, como as artes plásticas e gráficas, a arquitetura e a matemática.

A proporção áurea sempre foi muito apreciada por artistas, arquitetos, projetistas e músicos. A fascinação por essa regra matemática se dá pelo fato de ela estar presente em toda a natureza, no corpo humano e no Universo. Podemos enxergá-la na folhas das árvores, no crescimento das plantas, nas conchas, nas escamas dos peixes, além das proporções do corpo humano: por exemplo, a relação da altura do corpo humano com a medida do umbigo até o chão. Essas proporções anatômicas foram bem representadas por Leonardo Da Vinci em sua obra Homem Vitruviano.

a obra Homem Vitruviano, de Leonardo Da Vinci, representa as proporções anatômicas

Engenheiro e arquiteto romano, Vitrúvio, que viveu no século I a.C., desenvolveu um tratado sobre arquitetura no período greco-romano, considerado, desde a época do Renascimento, fonte de inspiração e de informação para os padrões de proporções, levando em conta a utilidade, a beleza e a solidez. Segundo Vitrúvio, “para que um todo, dividido em partes desiguais, pareça harmonioso, é preciso que exista, entre a parte pequena e a maior, a mesma relação que entre a grande e o todo”.

A aplicação da lei áurea é extensa. Só para citar alguns exemplos, na história da arte renascentista, mestres como os italianos Sandro Botticelli (1445-1510) e Giotto (1266-1337), entre outros, aplicavam em suas obras a proporção da relação áurea para compor com extrema harmonia e perfeição. Um exemplo é a pintura O nascimento de Vênus, datada de 1483, de Botticelli, na qual Afrodite é a representação da perfeição da beleza.

Em O nascimento de Vênus, de Botticelli, Afrodite é a representação da perfeição da beleza

No poema Ilíada, de Homero – poeta grego do século VIII a.C. –, o texto, que narra os acontecimentos dos últimos dias da Guerra de Troia, respeita uma proporção entre as estrofes maiores e menores. Essa proporção é um número próximo ao número de ouro: 1,618.

Na arquitetura, a proporção áurea é muito utilizada, desde a Antiguidade. As pirâmides do Egito são exemplos disso: cada bloco da pirâmide era 1,618 vezes maior do que o bloco do nível acima. No interior das pirâmides, o comprimento das salas era 1,618 vezes maior do que a largura.

Também em obras musicais, é possível encontrar o número de ouro. Exemplo disso são as 5ª e 9ª sinfonias de Beethoven. Aliás, a matemática, a música e o design possuem várias coisas em comum. Assunto para um novo post.