Goethe: filósofo das cores

O filósofo alemão Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)  iniciou seus questionamentos sobre as cores por volta de 1790, quando esse assunto restringia-se somente à ciência, já que a cor era vista como particularidade física da luz, segundo a concepção de Isaac Newton.

Preocupado com a influência das cores no âmbito psicológico e fisiológico, em um contexto amplo das cores trabalhando em conjunto sob influências diversas, Goethe contestou a visão mecanicista de Newton, cuja teoria era estruturada em conceitos científicos. Investigando o comportamento dos fenômenos isolados, as experiências de Newton eram feitas sob condições controladas de luz, em salas escuras, sem influência exterior. Goethe, ao contrário, fez suas experiências em ambientes abertos, ao ar livre, considerando a ação do homem e da natureza.

Em sua teoria das cores, Goethe interpreta que, para que haja equilíbrio e harmonia em uma composição, deve haver uma proporção entre as cores, e isso depende da luminosidade de cada uma delas. Quanto mais luminosa a cor, menos ela será utilizada na composição. Por exemplo, na figura abaixo, o amarelo, cor que apresenta maior luminosidade do que as outras, ocupa 17% do espaço. Já o azul preenche um espaço maior (47%) e o vermelho, 36%, respeitando a proporção de 3 : 6 : 8. No entanto, quando misturadas, as cores se equilibram.

Além da proporção entre as cores primárias (3 : 6 : 8), o filósofo alemão descreve também a relação equilibrada para as cores complementares (4 : 6 : 9).

Por não comprovar cientificamente suas teses, sua Doutrina das Cores caiu em descrédito na comunidade científica e não despertou interesse entre os artistas da época. No entanto, suas observações foram resgatadas no início do século XX entre os estudiosos da Gestalt. Professores da Bauhaus também se interessaram pela doutrina de Goethe para elaborar suas próprias teorias.

4 thoughts on “Goethe: filósofo das cores

  1. Mais um pontinho de conhecimento no vasto universo colorido.

    Obrigado pelas dicas, um beijo

    Ale

  2. Impressionante como no contexto as cores se equilibraram, mesmo em proporções diferentes. Isto me remete várias associações de quantidades e diferenças, e que nem tudo que é grande ou bastante em quantidade, aparece mais ou é mais importante, que o que é pequeno e em pouca quantidade. Pode haver equilíbrio nas diferenças, é só dar mais luz!

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