palavras do vencedor

Caríssimos, gostaria de compartilhar a resposta do vencedor do sorteio do livro “Fundamentos gráficos para um design consciente”.

Maurício é estudante de design, cursa o último ano na ETEC da Vila Formosa. Muito obrigada, Maurício, fiquei muito contente com a sua resposta.

Em breve, farei um novo sorteio no blog! Aguardem.

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“Oi Raquel,
Recebi o livro e que livro incrível, isso é um presente dos deuses.
Vai me ajudar e muito, o conteúdo é ótimo, a diagramação é ótima, sem contar que o livro é lindo de se ver.
Já comecei a ler e notei que o livro é bem didático, também aborda diversos assuntos do design. Estou impressionado com a qualidade e já o indiquei pra minha classe inteira, até mesmo para os professores.
Parabéns pelo talento que tem e pela pessoa humilde que você é, qualidade de poucos e pelo que percebo você tem de sobra.
Muito obrigado mesmo, seu livro é ótimo!!!

Maurício”
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um brinde à 2012 com muita arte

Com grande prazer, convido todos para o lançamento da agenda 2012 – Entrelinha Design & Edith Derdyk. Imperdível!

Uma agenda para 2012, com  muitos desenhos coloridos e com um projeto gráfico que deixa  espaço para  respirar poesia no dia a dia!

Esta agenda, realizada pela artista plástica Edith Derdyk em conjunto com a designer gráfica Raquel Matsushita (Entrelinha Design), oferece 12 desenhos – um desenho para cada mês  do ano – realizados pela artista plástica em 1982 e agora reeditados neste formato. Cada desenho, impresso em papel encorpado, é destacável para, no final do ano, cada um de nós levar para a vida imagens que ficam.

A agenda será lançada na Feira Moderna, uma loja que agrega objetos da cultura brasileira, com comida e roupas e muita alegria. Venha brindar com a gente!

Saiba mais no blog: www.agenda2012entrelinhaedith.wordpress.com

Lançamento
sábado, dia 3 de dezembro de 2011
das 16h às 20h, na Feira Moderna
rua Fradique Coutinho 1246 Vila Madalena
F. 3032-2253 | http://www.feiramoderna.com.br

Herb Lubalin: forma & conteúdo

O artista gráfico, diretor de arte e tipógrafo, Herb Lubalin é, para mim, uma referência ímpar da capacidade de unir a arte gráfica e o seu conteúdo de forma inspiradora.

Nascido em 1918, em Nova York, em uma família de músicos, seu interesse precoce por arte sempre foi incentivado, apesar de ser daltônico.

Em 1935, Herb passou no exame da prestigiada Cooper Union, na qual fez o curso de arte por quatro anos. Na primeira metade do curso era considerado o pior aluno da escola, mas, nos dois anos seguintes, se tornaria um dos melhores. A virada aconteceu no curso de tipografia, no qual, por ser canhoto, ele desenvolveu também, por conta da angulação da caneta e a pedido do professor, a habilidade de desenhar com a mão direita. Quatro anos mais tarde, ele se casaria com Sylvia Kushner, ex-aluna do Cooper Union e premiada aquarelista, com quem viveu por 32 anos e teve três filhos.

Em 1945, Lubalin torna-se diretor de arte do Sudler & Hennessey, um estúdio de arte especializado em anúncios farmacêuticos e promoções. Apesar de introspectivo, incentivou o trabalho em equipe e esteve sempre aberto a novas ideias, fato raro na época. Assim, fez o estúdio prosperar; desenvolveu uma ótima atmosfera de trabalho, contratou os melhores artistas e escritores para compor o seu departamento de arte. Enfim, o estúdio Sudler & Hennessey torna-se a agência de publicidade Sudler, Hennessey & Lubalin, onde ele assume o comando da direção de criação.

Lubalin não pensava somente no design de suas peças, mas, principalmente, no texto das chamadas, no conteúdo a ser explorado. Para ele, perdia-se mais tempo para criar a ideia do que para desenhar a peça. Por respeito a seus princípios, sempre rejeitou produtos ou candidatos políticos que não considerasse éticos.

Em 1964, ele deixaria a agência em que trabalhava e fundaria seu próprio estúdio: Herbert Lubalin, Inc.

Tendo inovado o modo-padrão de Gutenberg de se compor os textos, para ele, as palavras são lidas, não os caracteres. Do seu ponto de vista, diminuir os espaços entre as palavras ou entre as linhas não prejudica a legibilidade. Cortar, sobrepor, redesenhar as letras, tudo isso era um incentivo ao designer, que participou de publicações
como Eros, Avant Garde, Fact e desenhou as fontes Avant Garde Gothic, Lubalin Graph
e Serif Gothic.

Tornou-se editor e designer do U&lc (abreviação de Upper and lower case – caixa-alta
e baixa), jornal de seu amigo Aaron Burns, destinado à indústria tipográfica.

Em 1969, Lubalin e Burns fundam em Nova York a ITC (International Typeface Corporation), agência de licenciamento e distribuição de tipos. Na década de 1980, a ITC passou a licenciar fontes digitais, mas somente em 1994 começaria a produzir e comercializar suas fontes. Em 1986, a empresa foi comprada pela Esselte Letraset. Seu catálogo possui obras de grandes tipógrafos, como Ronald Arnholm, Matthew Carter, Erik Spiekermann, Hermann Zapf.

Lubalin faleceu em 1981.

nome aos bois

Cada letra é composta por várias “partes”, que, juntas, completam o corpo de seu desenho tipográfico. Olho, altura, hastes… tudo isso, faz parte do vocabulário do tipógrafo e do designer. Vamos dar nome aos bois?

As letras, os números e os sinais de pontuação são chamados “caracteres”. Eles podem ser maiúsculos (versais ou caixa-alta) ou minúsculos (caixa-baixa). Um alfabeto completo de um só desenho, composto por caixas alta e baixa, por números e sinais de pontuação é chamado “fonte”. As variações de tamanho (corpos) e de estilo (redondo, itálico, negrito etc.) reunidas originam uma “família” de tipos.

A seguir, uma lista de nomenclatura tipográfica:

Abertura: é o espaço vazio aberto em letras como a, c, e, s. As fontes humanistas têm abertura grande, enquanto as realistas e as românticas apresentam abertura pequena.

Altura de versal: distância entre a linha de base e a linha do topo da versal (maiúscula) de um alfabeto. Por exemplo, a altura da letra H.

Altura-x: distância entre a linha de base e a linha mediana de um alfabeto. Corresponde, geralmente, à altura das letras minúsculas sem haste, como x, e ao torso das letras com bojo, como o b.

Bojo: parte mais larga e arredondada da letra.

Bold: variação do desenho da letra em negrito, constitui um traço mais grosso do que a versão regular.

Caixa-alta: variação do desenho da letra em maiúscula, também chamada “versal”. A origem do nome caixa-alta, assim como caixa-baixa (minúsculas), vem da composição tipográfica manual, na qual os tipos eram guardados em gavetas. As maiúsculas ficavam em caixas na parte alta do armário de gavetas. Já as minúsculas, por serem mais utilizadas, localizavam-se na parte baixa do móvel, nas gavetas inferiores, de melhor acesso para o compositor.

Caixa-baixa: variação do desenho da letra em minúscula.

Caracteres: letras, números e sinais de pontuação.

Corpo: o tamanho dos caracteres tipográficos, geralmente expresso em pontos. Por exemplo, corpo 10, corpo 20.

Eixo: o eixo do traço de um desenho de uma letra revela o eixo da pena ou outro instrumento que a desenhou. A linha imaginária entre as partes mais finas do desenho da letra mostra se o eixo é vertical ou inclinado. A inclinação do eixo não significa que a letra esteja em itálico. O eixo humanista, por exemplo, é oblíquo em referência à inclinação natural da escrita manual. Já o eixo racionalista é totalmente vertical.

Entreletra: espaço entre as letras de uma palavra. Em alguns casos, os espaços entre as letras devem ser manipulados à mão até chegar ao equilíbrio visual, mesmo que matematicamente não estejam idênticos.

Entrelinha: espaço entre as linhas do texto. É a distância entre o baseline (linha de base) de uma linha ao baseline da linha seguinte. Para leitura confortável, recomenda-se a relação de dois pontos a mais para a entrelinha em relação ao corpo do texto. Por exemplo: para um texto composto com tipos de corpo 10, aplica-se uma entrelinha de 12 pontos, ou seja, 10/12.

Entrelinha negativa: o corpo do texto é maior do que a entrelinha, por exemplo, 14/12. Dessa forma, as hastes ascendentes e descendentes das letras tocam-se ou intercalam-se no decorrer das linhas.

Entrepalavras: espaço entre as palavras. Quando o texto é alinhado à esquerda ou à direita, a entrepalavra é fixa. Se o texto for justificado, a entrepalavra varia para a melhor acomodação das palavras numa linha.

Extensores: hastes ascendente e descendente das letras.

Família tipográfica: conjunto de fontes de determinado tipo, incluindo todas as variações de estilo, como itálico, negrito, versalete etc.

Fonte: conjunto de caracteres (letras, sinais e números) de determinado tipo. A denominação completa de uma fonte, com variação de tamanhos e estilos, corresponde a uma família tipográfica.

Haste: traço principal da letra que não faz parte do bojo. Por exemplo: a letra “o” não tem haste, enquanto a letra “l” é formada por uma haste.

Haste ascendente: traço que excede para cima da altura-x da letra em caixa-baixa. Por exemplo: t, h.

Haste descendente: traço que excede para baixo da altura-x da letra em caixa-baixa. Por exemplo: p, q.

Itálico: variação do desenho da letra com angulação para direita. Nessa variação, o desenho da letra é redesenhado considerando os espaços estruturais das letras e a inclinação desejada.

Linha de base (baseline): marca a base da letra, onde todas elas repousam. A base das letras sem formas arredondadas, como m, r, f, coincide com a linha de base. Já a base das letras com formas arredondadas, como c, b, o, ou formas pontudas, como v, w, adentram um pouco a linha de base. E, por último, a haste descendente de letras como p e q ultrapassa a linha de base. Visualmente, todas essas variações garantem um alinhamento perfeito.

Linha de fundo: marca o limite inferior da haste descendente de letras minúsculas como p, q.

Linha mediana: marca o topo das letras minúsculas, como a, c, x, e também o torso de letras minúsculas, como b, d, h.

Linha de topo: limite superior das hastes ascendentes de letras minúsculas, como b, d, l.

Linha de versal: marca o topo de letras maiúsculas. A linha de versal não coincide necessariamente com a linha de topo das hastes ascendentes.

Maiúscula: variação do desenho da letra em caixa-alta ou versal.

Minúscula: variação do desenho da letra em caixa-baixa.

Olho: principal forma redonda ou elíptica que define o desenho da letra. Por exemplo: C, G, O na caixa-alta e b, o, p na caixa-baixa. Também pode ser chamado de bojo ou barriga. Dizer que uma letra possui um olho grande é o mesmo que dizer que ela tem uma grande altura-x. Já um olho aberto significa uma grande abertura.

Orelha: pequena parte do desenho da letra que a equilibra e proporciona acabamento. Nem todas as letras possuem orelha – ou bandeira, como também pode ser chamada.

Peso: grau de escuridão, negrito de um tipo. Pode variar do ultra-light ao extrabold. Desenhos de tipos com traços mais grossos imprimem peso maior ao texto, enquanto os traços mais finos permitem leveza.

Serifa: traço ou barra que remata cada haste de uma letra. As serifas variam de acordo com os desenhos das letras. Podem ser uni ou bilaterais, compridas ou curtas, grossas ou finas, abruptas (tangenciando a haste bruscamente, em ângulos) ou adnatas (fluem suavemente a partir da haste ou ao seu encontro), quadradas, triangulares etc.

Sans serif: são as letras-bastão, que não apresentam serifas, chamadas não serifadas.

Terminais: desenhos no final do braço, perna ou bojo das letras. Podem ser circulares, em gota ou pontiagudos.

Tipo: desenho de um caractere tipográfico. Em impressão tipográfica, é a matriz para um caractere de determinada fonte.

Tronco horizontal: traço horizontal principal da letra.

Tronco vertical: traço vertical principal da letra.

Versal: variação do desenho da letra em caixa-alta ou maiúscula.

Versalete: variação do desenho da letra em caixa-alta, com altura da caixa-baixa.

Em um próximo momento, falaremos sobre a classificação dos tipos: a europeia e a norte-americana.