à moda antiga

Saiu uma matéria sobre o projeto Letra de mão na revista Computer Arts desse mês. Veja abaixo algumas imagens.

Capa da revista Computer Arts e embalagem do Letra de mão

Matéria do Letra de mão na seção Arte Final, sobre as criações de designers

Pra ler de pertinho

Katsumi Komagata: grande inspiração

O que pensar de uma pessoa que, ao iniciar uma conversa, pergunta à você:
– May I have your name?

Começou assim…
Tive a grande oportunidade de conhecer o grande artista que é Katsumi Komagata. Participei da oficina e das palestras organizadas pela “Conversas ao pé da página”, que aconteceram na semana passada, no SESC Pinheiros. Foi um encontro muito especial, não só os livros de Komagata são altamente inspiradores, mas suas palavras são igualmente lindas.

Algumas preciosidades que ele falou na palestra e na oficina, vou dividir com vocês:

• Komagata fez uma bela analogia entre a diferença da leitura de um livro impresso e de um livro digital. Ao mergulhar num oceano, nossos sentidos ficam limitados, ocorre a perda da sensibilidade: a visão, o olfato, a fala, a audição, mesmo nosso movimento corporal torna-se limitado pela água. Se nos colocarmos no meio de uma floresta, ao contrário, nossos sentidos tornam-se aguçados: podemos sentir o vento, ouvir o barulho dos pássaros, das árvores, sentir o cheiro da natureza… nossa sensiblidade aumenta. A leitura de um livro impresso é assim: uma aventura na floresta. Já a leitura de um livro digital é um mergulho no oceano. Ele salienta que o contato físico com o livro é muito importante, pois vai além da leitura do texto e imagem, e proporciona o contato com o objeto-livro, que leva em conta o tipo de papel, o formato, a manipulação.

• O livro infantil, para Komagata, é um objeto para ser dividido com o leitor e deve encorajar a criança a se expressar. Sendo assim, é uma oportunidade que se deve dar ao leitor para a sua própria expressão.

• Komagata diz ser usuário e adepto à tecnologia, no entanto, pondera que, ao digitar um texto no computador a expressividade é, em parte, ignorada, já que, independente da força que você aplica no teclado, o texto aparece da mesma forma no monitor. Isso não acontece quando escrevemos à mão. Tal pensamento me encorajou a dar à ele um exemplar do nosso Letra de mão (quimonos, claro), o qual ele recebeu carinhosamente, olhou com atenção todo o projeto e disse: beautiful.

Komagata levou uma pilha dos seus livros e, ao final da palestra, ofereceu para que pudessemos apreciar, em mãos, o seu trabalho. Esse contato físico com os seus livros foi uma verdadeira aula de design e de literatura infantil.

Um pouco sobre o designer

O designer japonês Katsumi Komagata – grande inspirador na criação de livros infantis-, recebeu vários prêmios com seu lindo trabalho.

Komagata nasceu no Japão, em 1953. Em 1977, mudou-se para Nova York e trabalhou como designer gráfico na CBS e Schechter Group. Em 1983 voltou para o Japão e, em 1986, fundou a editora One Stroke.

Em 1992, a editora Kaiseisha publicou Little eyes, uma série de 10 livros infantis (sem palavras, apenas imagens), criada depois do nascimento de sua filha, hoje com 24 anos. Ele almejava reforçar o contato visual com sua filha, então com 3 meses de idade.

Segue agora, uma mostra do trabalho desse grande artista.

First look

A cloud

Birthday book

Little tree

Walk and look

Para ver mais

No site da editora One Stroke (www.one-stroke.co.jp) pode-se apreciar vários dos seus livros. O blog do artista (http://d.hatena.ne.jp/onestroke/) é também uma fonte de inspiração. Os livros Litlle Tree e Clouds podem ser folheados aqui: http://vimeo.com/6191932