bauhaus.foto.filme

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Abriu agora em maio, no Sesc Pinheiros, uma exposição sobre a Bauhaus – escola de artes e design alemã, que funcionou entre 1919 e 1933 – com cerca de 100 fotos e 12 vídeos produzidos por alunos e professores da própria escola. As obras fazem parte da mostra bauhaus.foto.filme, em cartaz até 4 de agosto, com entrada gratuita.

E por falar em Bauhaus, vamos nos aprofundar um pouco mais nesse tema, com o texto do livro Fundamentos para um design consciente (p. 92 – 103) , que trata desse período da história do design.

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Bauhaus

Diante da disputa entre a tendência industrial de Hermann Muthesius e a artesanal de Henry van de Velde, o alemão Walter Gropius conciliou o melhor dessas duas linhas de pensamento e criou o Manifesto da Bauhaus. Durante o período de sua existência (1919-1933), a escola dedicou-se a testar novas concepções artísticas em várias áreas – arquitetura, artes plásticas, escultura e design –, tornando-se assim um grande centro de estudos do modernismo e do funcionalismo. A ideia funcional de que “a forma segue a função” consolidou a corrente que marcaria a imagem do design do século XX.

Sob a influência de ideias socialistas do construtivismo russo e dos movimentos futurista e dadaísta, a escola estimulava a livre criação entre professores e alunos, na sua maioria ligados aos movimentos abstrato e cubista – daí o estilo marcante de formas geométricas e o uso de grafismos.

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A primeira sede da Bauhaus foi ainda em Weimar, na Alemanha. Essa primeira fase da escola foi chamada expressionista, pois a atenção era dada ao desenvolvimento do indivíduo e à sua integração cósmica. Os alunos eram ensinados por um mestre da Forma (como as ideias e os conceitos se apresentam visualmente) e um mestre Artesão, assim, acreditava-se que a barreira entre artistas e artesãos finalmente se extinguiria.

No primeiro ano de sua existência, a Bauhaus contava com mestres expressionistas como os pintores Johannes Itten (1888-1967), que exerceu grande influência na construção do curso preliminar da escola, Lyonel Feininger (1871-1956) e Georg Muche (1895-1986), como também o escultor Gerhard Marcks (1889-1981). Groupius teve a importante tarefa de reunir um grupo de artistas de vanguarda, extremamente talentosos e comprometidos com os conceitos da escola.

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Nos anos seguintes, outros seriam nomeados para lecionar na escola, entre eles, os pintores Paul Klee (1879-1940), Oskar Schlemmer (1888-1943) e Wassily Kandinsky (1866-1944).

No ano de 1923, Johannes Itten, por divergências de ideias, deixou a Bauhaus e foi substituído pelo húngaro László Moholy-Nagy (1895-1946), que tinha como colaborador o alemão Josef Albers (1888-1976). Contrário à posição de Gropius, que aceitava pedidos de encomendas para a escola, Itten acreditava que o principal objetivo da educação da Bauhaus era o desenvolvimento do indivíduo criativo em harmonia com o mundo. No entanto, a possibilidade de encomendas ao ateliê particular da Bauhaus já era uma ideia central de Gropius antes mesmo da fundação da escola.

Por ser uma instituição estatal, a Bauhaus era dependente financeira e politicamente do governo. Desde o seu surgimento, havia discordância entre os que a apoiavam e os conservadores, contrários ao expressionismo. A imprensa local era majoritariamente conservadora, tornando árdua a tarefa de Gropius de tentar manter a escola fora de qualquer controvérsia política.

Além da esfera política, Gropius sonhava também com a independência econômica da Bauhaus. A partir de 1922, criou-se a possibilidade da implementação de uma sociedade por cotas, com o objetivo de comercializar os produtos que a escola produzia. Moholy-Nagy apoiava incondicionalmente essa nova tendência comercial e tornou-se o colaborador mais importante de Gropius.

Com a saída de Itten, o caminho estava aberto para uma nova filosofia de ensino centrada na criação de produtos para atender às exigências industriais. Moholy-Nagy – o novo diretor do Vorlehre – e Albers mantiveram os princípios básicos do curso preliminar de Itten, mas deram menos atenção aos elementos relativos à formação da personalidade individual, que Itten tanto promovia. O curso preliminar passa a ter a duração de um ano em vez de seis meses. Era o indício do fim da era expressionista da Bauhaus.

O movimento De Stijl, representado por Theo van Doesburg e Piet Mondrian, foi considerado também uma contribuição ao fim da era expressionista da Bauhaus.

Em 1922, o governo fez um empréstimo financeiro à Bauhaus, na condição de que a escola fizesse uma exposição de todo o trabalho realizado no ano seguinte. A exposição tornou-se prova de credibilidade para Gropius, que mobilizou toda a equipe para esse fim. No ano seguinte, a exposição, que abordou todas as áreas da Bauhaus, não foi um sucesso financeiro, mas teve grande importância para a divulgação mundial de seus produtos.

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Com a vitória dos partidos conservadores nas eleições de 1924, o destino da Bauhaus foi enfim alterado. Os conservadores, que ansiavam pelo encerramento da Bauhaus desde sua criação, adotaram uma série de medidas prejudiciais ao funcionamento da escola. Entre elas, a demissão de Gropius e o corte drástico no orçamento.

Após diversas tentativas malsucedidas de manter a escola em funcionamento, a Bauhaus e os mestres de Weimar, que haviam rescindido os seus contratos com o Estado, mudam-se finalmente para Dessau em 1925. A Bauhaus torna-se então uma instituição municipal. Nessa época, suas atividades intensificaram-se com o lançamento de publicações e exposições.

A nova sede da Bauhaus, um edifício construído por Gropius, assim como as novas casas dos Mestres, foram um exemplo para a moderna arquitetura alemã.

Ainda nesse ano, Gropius consegue finalmente implantar uma sociedade por cotas, tornando então a Bauhaus uma unidade de produção rentável. Ainda assim, os lucros não eram suficientes para as autoridades. Nessa época, a Bauhaus ganha o título de Instituto Superior da Forma, se equiparando à categoria das academias de artes convencionais, institutos superiores técnicos e escolas de artes e ofícios.

Uma grande contribuição na história da tipografia deve-se à Bauhaus, por ter transformado essa disciplina em um curso graduado. Durante o período de Weimar, a tipografia foi dirigida por Lyonel Feininger – mestre artístico – e Carl Zaubitzer – mestre artesão. Nos anos seguintes, por conta da insistência de Gropius na necessidade de encomendas para garantir a sobrevivência da escola, mudou-se a postura da oficina tipográfica, menos experimental e mais produtiva, aceitando encomendas para todo tipo
de impressão. Desenvolveu-se nessa época, sob direção de Herbert Bayer, novos tipos sem serifa, de desenhos simples e geométricos, que posteriormente inspirariam a criação da famosa Helvética.

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O ateliê de arquitetura ganha papel central no programa da instituição com a inauguração do departamento de arquitetura, em 1927, sob a direção do suíço e militante socialista Hannes Meyer.

Em 1928, Moholy deixa a direção do curso preliminar e Josef Albers torna-se seu sucessor. No mesmo ano, diante das dificuldades financeiras da escola, Gropius passou o cargo de diretor a Hannes Meyer, que deu ainda mais a atenção à arquitetura e conseguiu aumentar a produtividade dos ateliês. Durante o período em que atuou como diretor, Meyer fez uma reforma profunda na estrutura interna da escola, tendo como base três pontos principais: 1) maior rentabilidade possível; 2) autoadministração de cada célula; e 3) princípios de ensino produtivos.

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O grande objetivo de Meyer era tornar os produtos da Bauhaus adaptáveis às necessidades das pessoas, tornando-os mais acessíveis a um número cada vez maior de compradores.

Com as mudanças propostas por Meyer, obteve-se o aumento considerável da motivação de trabalho dos estudantes da escola. A visão cooperativista do novo método de ensino foi amplamente assimilada pelos estudantes comunistas, fortalecendo o grupo político na Bauhaus.

Esse viés político, apoiado pelos estudantes marxistas, causou um contramovimento formado por alunos que não queriam se envolver com política, mas, sim, estudar as disciplinas. Kandinsky e Albers não participavam das ações comunistas e lutavam contra as mudanças de reestruturação do curso preliminar de artes da Bauhaus. Em oposição ao grupo comunista estavam também as autoridades e a imprensa, pois temiam as atividades dos estudantes marxistas.

Após dois anos na direção da escola, Meyer foi despedido pelas autoridades municipais por suas tendências políticas, e seu sucessor seria o arquiteto alemão Mies van der Rohe. A postura adotada por Mies van der Rohe para refrear o descontentamento de muitos estudantes que eram contra a demissão de Meyer foi extremamente autoritária. Por meio de novos estatutos, a autoridade ficou a cargo exclusivo do diretor da instituição, sem a necessidade da opinião dos alunos, antes representados pelo Conselho de Mestres.

O novo objetivo da Bauhaus era a “formação artesanal, técnica e artística”, e a atenção à arquitetura foi ainda mais fortalecida do que no período de Meyer. As atividades políticas foram proibidas e coibidas com várias expulsões de alunos marxistas que insistiam em manter o movimento.

A despeito do esforço do novo diretor para despolitizar a Bauhaus, as pressões políticas se mantiveram e afetaram também sua situação financeira. Na tentativa de depender cada vez menos dos fundos políticos e se autossustentar, a instituição sofreu cortes drásticos no orçamento. Apesar da tentativa de Mies, o contexto político da época era tão intenso que o esforço tornou-se inútil. A esquerda se fortaleceu na Bauhaus, enquanto os nazistas conquistavam, por meio de eleições, mais espaço na sociedade.

Finalmente, em 22 de agosto de 1932, com a ascensão dos nazistas ao poder, decretou-se o encerramento da Bauhaus de Dessau. Após o fechamento, Mies decidiu continuar na direção da instituição, na cidade de Berlim, como uma escola particular, e assim seu programa foi novamente alterado.

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Sob o poder dos chamados nacional-socialistas, o gabinete do Ministério Público de Dessau organizou uma comissão de investigação para juntar provas e incriminar a Bauhaus de Berlim como uma instituição bolchevique e, portanto, contra as ideias nazistas do poder.

O encerramento definitivo da Bauhaus aconteceria em 1933. Contudo, o seu ensino inovador já havia se difundido nos principais centros de arte do mundo. Atualmente, existem instituições que se baseiam no modelo da Bauhaus, como a Universidade de Harvard – onde Gropius passou a lecionar – e o Massachusetts Institute of Technology (MIT) – onde Moholy-Nagy incorporou a New Bauhaus. Em 1950, foi inaugurada em Ulm, na Alemanha, a Hochschule für Gestaltung (Escola Superior da Forma), dirigida por Max Bill, ex-aluno da Bauhaus de Dessau.

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Serviço – bauhaus.foto.filme
17 de maio a 4 de agosto de 2013.
De terça a sexta, das 10h30 às 21h30. Sábados, domingos e feriados, das 10h30 às 18h30
Sesc Pinheiros – Rua Paes Leme, 195 – F. (11) 3095 9400

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