O que pegamos emprestado dos outros?

Saindo do forno microondas e com cheirinho de pipoca o livro “O que pegamos emprestado dos outros” (Ed. Kapulana), texto de Marcelo Jucá e ilustrações de Raquel Matsushita.

Marcelo me convidou para ilustrar e fazer o projeto gráfico desse livro, quando o inscreveu no 2º edital de publicação de livros para autores não estreantes da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Ao ler o texto, fui parar em uma época bastante atribulada, para o bem e para o mal, da minha vida. Tive uma forte identificação com a personagem principal, Yasmin. Numa espécie de espelhamento, voltei para a minha adolescência e me lembrei de quando fazia a agenda do ano.

Me senti tão impactada pela leitura que aceitei na hora. Meses depois, ele volta com a notícia: o projeto foi contemplado no edital. Uma alegria! Chegou a hora, então, de pensar no projeto visual dessa obra infantojuvenil. Em paralelo, a editora Kapulana entrou como parceira na produção do livro.

Sempre que começo um trabalho de ilustração e de projeto gráfico, busco diversas referências que me ajudam a navegar mais fundo nos pensamentos. Para esse livro, saltaram de minhas lembranças as agendas que eu fazia todos os anos. Eram repletas de desenhos, reflexões e interrogações. Uma poluição visual que refletia as inquietações de dentro.

Corri para minhas agendas (sim, tenho tudo guardado) e, ao reviver aqueles momentos, incorporei Yasmin para criar as imagens do livro.

Minhas agendas

Sendo assim, peguei emprestada a personagem para ser a ilustradora. Com os olhos, traços e cores de Yasmin, revelo sentimentos, angústias e alegrias com os quais podemos nos identificar.

O projeto gráfico foi pensado em trazer as ilustrações em páginas duplas, uma vez que remetem à agenda da personagem aberta ao leitor (aliás, este era um dos prazeres da época: ler a agenda dos outros). Por meio das imagens, percebemos a personalidade de Yasmin, suas questões, suas manias (sempre com elementos recorrentes no traço da garota), suas angústias e suas alegrias.

A primeira página do livro é também a primeira página da agenda de Yasmin.

Em todos os desenhos há um elemento real sobre a agenda, que foram fotografados e inseridos na imagem. Há uma caneta bic (com a tampinha mordida, como é de se esperar…), com a qual Yasmin desenha a si própria. Há o fone de ouvido, pois ela tem na música uma forma de vida. Há pipocas em momentos difíceis, pois a pipoca, mais do que um alimento para o corpo, é um acalanto para a alma (coisa do pai dela).

O texto traz um viés social importante como pano de fundo. Yasmin vive dificuldades sociais (o pai está desempregado e a mãe trabalha fora o dia todo, a irmã…) e íntimas, típicas dessa fase de autoconhecimento, que na verdade não termina nunca, mas, na entrada da adolescência é um verdadeiro turbilhão de perguntas sem respostas (ou com muitas respostas, o que confunde mais ainda). Para potencializar esse cenário, busquei como referência elementos gráficos – como o grafite – e incorporei na ilustração.

Muros de grafite compõem o verso da capa

O lançamento do livro acontece no dia 19/10, sábado, das 11h às 13h, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima (R. Henrique Schaumann, 777 Pinheiros).

Haverá um bate-papo entre Marcelo Jucá e eu, contaremos tudo sobre a construção do livro. Todos convidados!

O projeto “O que pegamos emprestado dos outros” foi contemplado pelo 2º edital de publicação de livros para autores não estreantes da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

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