Infinitos enigmas

O enigma do infinito, escrito por Jacques Fux e ilustrado por Raquel Matsushita (Editora Positivo) é um livro quebra-cabeça, cujas peças são pura matemática e literatura. Ao pensar no caminho para as ilustrações, mantive a referência dessas duas ciências que o texto traz.

A literatura é narrativa

Fui em busca de uma narrativa visual para os capítulos, que são pílulas independentes, mas possuem um fio condutor. A frase impressa na primeira página do livro dá uma dica ao leitor: “Queria a língua que se falava antes de Babel” (depoimento de Guimarães Rosa). Em seguida, há uma sequência de duas duplas ilustradas com lombadas de livros dispostos numa prateleira. Um deles, é o próprio Enigma do infinito, que se destaca por ser o único a estar inclinado. Entramos, então, na leitura do texto. No decorrer das páginas, o leitor atento percebe que os livros citados no texto são os mesmos dispostos na prateleira.

Cada capítulo ganha uma ilustração de abertura e uma dupla seguinte, que completa uma mini-narrativa visual (as cores e as captulares me ajudaram com isso). Temos, portanto, pequenas narrativas dentro de uma história maior.

Retomada da narrativa

O último capítulo traz a biblioteca de Babel como tema. A partir daí, há uma sequência só de imagens, que retoma as lombadas dos livros na prateleira. O enigma do infinito aparece, mas é o livro A biblioteca de Babel (do Borges) que agora ganha destaque pela inclinação. As páginas seguintes revelam, por se afastarem da prateleira, que estamos dentro da própria Biblioteca de Babel. A leitura do livro é, portanto, um passeio pela biblioteca, que contém todos os livros citados neste, que estamos lendo.

Carimbos modulares, combinações infinitas

A referência matemática aparece na geometria e ângulos das ilustrações. As imagens foram feitas com carimbos que fiz numa oficina, gravados a laser, com formas geométricas. Os carimbos são modulares e, por isso, dão margem para infinitas combinações. Com eles, criei imagens bastante figurativas, ainda que, alguns detalhes abstratos, no contexto, são inteligíveis como figura. Usei também carimbos tipográficos como suporte. As ilustrações são repletas de enigmas a serem descobertos pelo leitor.

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