ex-libris: joias de arte literária

Ex-libris (“from the library of”) é a marca escrita ou desenhada e impressa no livro, que indica a livraria ou a pessoa a quem pertence ou pertenceu esse livro. É, portanto, um indicativo de propriedade. Mas, há mais.

O ex libris contribuiu para a formação de uma arte inimitável acompanhando as tendências artísticas de cada época. Ao mesmo tempo se prestava a identificar o livro e sintetizava as tendências intelectuais, morais, literárias, científicas, enfim, os traços culturais de seu tempo. (…) Traduzindo a personalidade de seu titular (ou utente), ele vale muito mais do que podemos imaginar à primeira vista pois constitui um emblema sintético da expressão psicológica individual, associado à concepção artística do desenhista que lhe dá forma, expressão e decoração artística. É um momento único de cooperação entre o artista criador e o bibliófilo que o inspirou, definido por Geneviève Granger na seguinte frase: “L’ex libris doit être un peu une confession… (o ex-libris deve ser um pouco uma confissão…).” Stella Maris de Bertinazzo.

A  Biblioteca Nacional José Martí (BNJM), situada em Havana, Cuba, fundada em 1901, possui uma rica coleção de ex-libris, organizada a partir de livros de posse da própria biblioteca. Alguns deles foram pintados à mão sobre pergaminho e datam de dois séculos atrás. Outros foram obras de artistas extravagantes, de meados da década de 1960. Todos são pequenas joias de arte literária. Veja abaixo mais preciosidades.

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design digital

Recebi uma ótima sugestão (valeu, Soba!) para falarmos de design no meio eletrônico. Tema muito atual e em franco desenvolvimento. Os meios eletrônicos que atua um designer hoje são muitos: site, hotsite, blog, jogos, ebook (livro digital) e afins.

O design digital possui  vantagens e desvantagens em relação ao design impresso. A começar pelas desvantagens, o meio digital possibilita menor abrangência nas escolhas para construir um desenho gráfico. Isso engloba tipografia, formatos, tamanho de textos, disposição gráfica, entre outros. Em relação à escolha da tipografia para uso em sites, por exemplo, a gama de fontes disponível (e viável para não tornar o site muito pesado) é muito menor do que na plataforma gráfica.

Outra desvantagem da plataforma digital, é não termos absoluto controle de nossa criação, ou seja, a visualização de um site, por exemplo, depende do monitor do usuário, da configuração de seu computador. Ao contrário da plataforma de editoração, na qual possuimos total controle de como ficará o desenho gráfico que desenvolvemos, já que a página é estática.

Por outro lado, também existem vantagens do meio digital em relação ao meio impresso:  interatividade, interface, navegação, animação e efeitos sonoros são algumas delas. O conceito de interatividade dá ao design digital um novo desafio: não basta pensar apenas no desenho gráfico, mas também é preciso levar em consideração a relação da interação entre o objeto/projeto e o usuário.

“(…) o design de sistemas interativos deixa de ater-se somente ao design de seus elementos, como as GUI (graphical user interface), para concentrar-se na relação entre usuários e seu ambiente – seja ele virtual, físico ou híbrido, tanto do ponto de vista tecnológico quanto comunicacional (Paraguai, Tramontano, 2006, p.2).”

No processo de criação em ebooks, por exemplo, temos várias opções de formatos digitais, com diferentes vantagens e possibilidades. Os formatos mais comuns utilizados hoje são basicamente os seguintes:

  • PDF: conteúdo estático ou com baixa interatividade. Se for  um arquivo digital gerado a partir de um software de editoração gráfica (InDesign, por exemplo), o desenho gráfico permanece idêntico ao arquivo original, ou seja, as tipografias escolhidas, a diagramação, tudo é fiel ao arquivo-base em que foi criado. Para ter acesso à esse tipo de arquivo, é necessário somente o programa Acrobat Reader (ou outro compatível), disponível gratuitamente na internet, instalado no computador. Vantagem: fidelidade ao desenho gráfico original. Desvantagem: baixa ou nenhuma interatividade.
  • HTML: páginas eletrônicas com maior possibilidade de interatividade e mais restrições em relação às escolhas para criação do design (escolhas tipográficas, disposição de elementos etc). Esse tipo de formato necessita de um navegador de internet para ser acessado. Vantagem: interatividade. Desvantagem: restrições nas escolhas que compõem o design.
  • e-PUB (eletronic publication): formato de arquivo digital específico para ebooks. Para ter acesso à esse tipo de arquivo, são utilizados dispositivos de leitura, tais como o kindle ou iPad. Esse tipo de arquivo possui o conteúdo fluido, ou seja, o usuário pode configurar algumas especificações de acordo com o seu gosto pessoal, dentro das possibilidades que seu dispositivo digital oferece. Por exemplo: o usuário pode escolher a tipografia do texto, aumentar ou diminuir o tamanho da fonte, definir o manuseio de leitura – como virar a página, por exemplo. Vantagem: alta interatividade nas interfaces. Desvantagem: restrições nas escolhas que compõem o design.

Outras vantagens do livro digital, que saem do âmbito do design, é a portabilidade – você pode carregar num leitor de livro digital um grande número de livros, por exemplo, ou fazer o download de arquivos em sites de qualquer parte do mundo – e o baixo custo (não está envolvido no processo de produção, por exemplo, o custo de impressão), podendo chegar a um valor 80% menor – quando não gratuito – do que um livro impresso.

Vantagens e desvantagens à parte, o design digital deve ser tratado com a mesma importância do desenho gráfico, respeitando suas restrições de produção e desfrutando de suas vantagens de interação de interface. Os conceitos de hierarquia, uso de cores, desenho visual são válidos para todas as áreas do design – seja ele digital ou impresso -, e devem ser pensados e desenvolvidos com consciência.

Para saber mais sobre esse assunto, veja o artigo de José Neto de Faria, no endereço: http://blogs.anhembi.br/congressodesign/anais/artigos/69685.pdf

o menino que não era

O projeto gráfico desse livro infanto-juvenil, desenhado pela Entrelinha, engloba – além das escolhas tipográficas, formato e paginação – a coloração das imagens de Luis Augusto, inicialmente em preto e branco. As cores ressaltam situações e destacam propositalmente elementos ao olhar do leitor. (Editora Casa da Palavra / Jogo de amarelinha, formato 21×23 cm. 56 páginas)

capa e contracapa

será que bicho tem nome?

Novo livro infanto-juvenil ilustrado com lindas colagens de Sônia Magalhães e desenhado pela Entrelinha. Projeto gráfico, alinhado com a técnica da colagem das ilustrações, valoriza as imagens nas aberturas de capítulos e no decorrer do miolo, dando ritmo ao livro infanto-juvenil. (Editora Casa da Palavra / Jogo de amarelinha, formato 22×21 cm, 40 páginas)

capa e contracapa com colagens

página dupla de abertura de capítulo

página dupla

página dupla

modernismo x pós-modernismo = design contemporâneo

modernismo

Na década de 60, surge o modernismo, que utilizava em suas composições o chamado grid system (sistema de grades), no qual tudo era estruturado respeitando-se as várias linhas de construção. Qualquer tipo de linha cursiva era desprezada em prol das linhas retas e geométricas. Assim, as tipografias manuscritas e serifadas deram lugar aos tipos de máxima legibilidade e uniformidade de traço. Por esse motivo, a tipografia Helvética foi intensamente utilizada nesse período.

Calendário de 1964 desenhado pelo modernista Wim Crouwel

pós-modernismo

Entre as décadas de 60 e 70, surge uma nova corrente de artistas gráficos para contestar e se opor à concepção do modernismo. O novo movimento ganhou o nome de pós-modernismo, cujo foco era a desestabilização da ordem em favor da anarquia, do caos, da emoção. A mistura de elementos de todos os tipos e épocas era permitida e incentivada. A geometrização das formas e as grids de composição eram, para esses artistas, um símbolo de repressão e banalização visual.

capa da revista little white lies, 2011, por david carson

design contemporâneo

A partir da década de 1980, com a saturação dos trabalhos pós-modernos, surge a tendência da mistura do modernismo e do pós-modernismo. O que antes era totalmente abandonado (racionalismo modernista), agora era reinventado com um viés pós-moderno. O novo desafio é inovar com o que já é conhecido.

Para tanto, o híbrido – a integração de formas geométricas com formas orgânicas, da simplicidade com o caos – torna-se terreno fértil e instiga a experimentação. O uso dos grids de composição são utilizados com mais flexibilidade. A ideia de duas ou mais coisas acontecendo ao mesmo tempo é recorrente no design atual. Por isso o extenso uso de técnicas de sobreposições e transparências.

cartaz para a exposição Fuse, em tokyo, 1999, por Neville Brody

china shadow, 2006, criação de Qian Qian

livro sobre design gráfico

O livro Fundamentos gráficos para um design consciente, de Raquel Matsushita (352 páginas, Musa Editora) aborda os cinco pilares fundamentais para a construção consciente do exercício do design gráfico:

  • 1. história do design gráfico
  • 2. tipografia
  • 3. as cores
  • 4. produção gráfica
  • 5. práticas profissionais

“Este é um livro que aborda não só conceitos básicos de design, mas muitas outras coisas em torno dele. Para mim, essas ‘outras’ coisas são a parte mais interessante do design de um objeto: seus limites, o ponto de contato entre ele e o que está em volta. Assim, os capítulos sobre cor, tipografia, produção gráfica e prática profissional são completos e instrumentais, mas há mais.”
Carlito Carvalhosa, do prefácio Afinal, livros eram vendidos sem capa.

“Design gráfico: dentro do território do design gráfico, utilizarei como referência, no que vem a seguir, a excelente obra de Matsushita.”
Lucia Santaella, no livro Leitura de imagens (Ed. Melhoramentos)

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Veja mais aqui.

Serviço
Fundamentos gráficos  para um design consciente
autora: Raquel Matsushita
isbn 978-85-7871-006-4
352 páginas  |  peso: 990g
formato: 16 x 23 cm
Sobrecapa encartada na capa (vira um cartaz)
A venda nas livrarias ou diretamente no site www.musaeditora.com.br

Sobre a autora
Raquel Matsushita, sócia do escritório Entrelinha Design (www.entrelinha.art.br), graduou-se em publicidade e propaganda pela Universidade Metodista de São Paulo, especializando-se em design gráfico, cor e tipografia na School of Visual Arts, de Nova York, onde também foi colaboradora do escritório de design Linda Kosarin Studio. Trabalhou como editora de arte da Abril Jovem e da revista Galileu (Editora Globo).