Sobre entrelinhadesign

Criado em 2001 por Raquel Matsushita, Entrelinha é um escritório de design gráfico localizado em São Paulo. Graduada em Publicidade e Propaganda pela Universidade Metodista de São Paulo, Raquel especializou-se nos cursos de Design gráfico, Cor e Tipografia na School of Visual Arts, de Nova York, onde também foi colaboradora do escritório de design Linda Kosarin Studio. Trabalhou como editora de arte nas editoras Abril e Globo. Ministra aulas como convidada em cursos de pós-graduação, extensão, graduação e congressos nas instituições de ensino superior Vera Cruz, A Casa Tombada, ECA-USP, Casa Educação, Sesc, entre outros.

As coisas de que não me lembro, sou

Escrito por Jacques Fux, ilustrado por Raquel Matsushita, o livro As coisas de que não me lembro, sou (Aletria Editora) é uma viagem ao (in)consciente humano.

Na entrevista a seguir, ao Carlos Andrei, conto um pouco sobre o processo de criação das imagens do livro a partir das provocações que o texto nos oferece.

Como se deu o processo de ilustração do livro?

O processo de ilustração foi feito com muita liberdade em todos os sentidos. Identifiquei um forte viés psicanalítico na narrativa do personagem, desde o nascimento até a vida adulta. A psicanálise foi, portanto, o ponto de partida para a investigação e pesquisa das ilustrações. Depois que encontrei esse caminho para as imagens, fiz alguns desenhos e apresentei à editora e ao autor, que curtiram a proposta.

Gostaria que você comentasse um pouco sobre a escolha das cores, predominantemente, o preto e o branco.

O livro trata de uma memória “esquecida”, mas é justamente por meio dela que o narrador conta as histórias e reconstrói a si mesmo. No paradoxo do ambiente escuro das não-recordações, o narrador se revela em forma de fragmentos.
O projeto gráfico do livro propõe intensificar a ideia de fragmentos com pequenos trechos de texto distribuidos nas duplas. Ainda sobre esses trechos, um novo fragmento de texto é realçado por retângulos pretos ou brancos, que, por sua vez, se misturam com as ilustrações.
O preto e branco (do papel) se revezam no protagonismo de cada capítulo. Também foram pensados como uma alusão à lembrança e não-lembrança do narrador, a luz e a sombra.

As ilustrações trazem referências de algumas obras de arte. Você poderia destacar algumas que considera importantes e, de algum modo, contribui para construir a linguagem visual do livro como um todo?

Todas as imagens têm uma referência direta com uma obra de arte. Selecionei os principais artistas surrealistas (ou que participaram do movimento) com obras que se relacionam com a passagem do texto nas duplas. As ilustrações foram criadas livremente sobre essas obras, sendo, portanto, uma releitura, uma reconstrução do passado.
No conjunto de 20 ilustrações, houve a preocupação em escolher artistas brasileiros
e também em equilibrar os gêneros (9 mulheres e 11 homens). Ao final do livro, há a relação das obras e artistas selecionados.

As imagens deste livro foram livremente inspiradas nas obras de artistas que participaram do movimento surrealista.

Meret Oppenheim, Mesa com pés de pássaro (1939): capa
Joan Miró, Nascimento do mundo (1925): p. 6-7
Tarsila do Amaral, Urutu (1928): p. 8-9
Paul Klee, Irmãos (1930): p. 10-11
René Magritte, Decalcomania (1966): p. 12-13
Frida Kahlo, Meus avós, meus pais e eu (1936): p. 14-15
Man Ray, Os amantes (1936): p. 16-17
Maria Martins, O impossível (1945): p. 18-19
Leonora Carrington, O último peixe (1974): p. 20-21
Ismael Nery, Eternidade (1931): p. 22-23
Dorothea Tanning, Maternidade (1947): p. 26-27
Kay Sage, A resposta é não (1958): p. 28-29
Marc Chagall, Amantes rosa (1916): p. 30-31
Luis Buñuel, Um cão andaluz (1929): p. 32-33
Remedios Varo, O fazendeiro (1958): p. 34-35
Max Ernst, Os homens não sabem nada (1923): p. 36-37
Pablo Picasso, Garota em frente ao espelho (1932): p. 40-41
Cicero Dias, Sem título (1920): p. 42-43
Gertrude Abercrombie, Levitação (1953): p. 44-45
Salvador Dalí, A persistência da memória (1931): p. 46-47

Jacques Fux recorda que o ponto de partida desse livro remonta a 2014, quando foi convidado por Marco Lucchesi, enquanto presidente da Academia Brasileira de Letras, para escrever um artigo para a revista da ABL. Naquele ano, o escritor estava cursando pós-doutorado na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, onde se aprofundou nas questões sobre a memória, que vai além do que se lembra. “Inclui também o que esquecemos, transformamos, criamos e recalcamos. Eu estava trabalhando com o testemunho na literatura, e fiz uma imersão no tema. E, assim, escrevi esse texto que eu acho que é único na minha vida. É um texto muito bonito, muito sincero”, comenta Fux.
Dois autores com os quais ele estava dialogando bastante nos seus estudos foram Georges Perec (1936-1982) e Sarah Kofman (1934-1994), que passaram pelo trauma da Segunda Guerra Mundial e também produziram livros nos quais se valem de uma linguagem infantil, mas sem abrir mão da densidade das questões abordadas por eles. Produzir “As Coisas que Não me Lembro, Sou”, para Fux, foi, de certo modo, realizar esse exercício de retorno a um “lugar” já esquecido mas ao mesmo tempo familiar para todo mundo.
“Esse texto é muito bonito, fala o que todo mundo viveu e o que todo mundo esqueceu, mas esse esquecimento foi fundamental para criação de quem somos. Todas essas coisas que nós não lembramos da infância, desses carinhos, desse convívio com os pais, enfim, dessa vida de neném, eu acho que são justamente essas memórias que nos fazem ser o que somos. Então, esse livro trata muito dessa não memória, mas que, de alguma forma, nos define”, completa Fux.

Para Rosana de Mont’Alverne, editora da Aletria, “As Coisas que Não me Lembro, Sou” é um livro reflexivo e encantador, para ler, reler e presentear. “Quando crianças, amamos ouvir repetidamente as histórias de nosso nascimento, do casamento de nossos pais, daquele tombo horrível que deixou cicatriz… Assim vamos nos constituindo, não só pela memória dos acontecidos, mas também pelas narrativas dos adultos. Freud dizia que não somos apenas o que pensamos ser. ‘Somos mais’ – diz ele – ‘somos também o que lembramos e aquilo de que nos esquecemos; somos as palavras que trocamos, os enganos que cometemos, os impulsos a que cedemos ‘sem querer’”, ressalta.

“Jacques Fux nos traz, em boa hora, essa reflexão freudiana traduzida num texto literário belíssimo, enxuto e, sobretudo, SIMPLES, essa qualidade dificílima de alcançar na aventura de escrever um livro. A cereja do bolo é o projeto gráfico e as ilustrações de Raquel Matsushita, que brinca com o claro-escuro o tempo todo, numa alusão à escuridão das não-recordações que impulsionam-nos à busca da claridade e do autoconhecimento”, conclui a editora.

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Correio amoroso

Correio amoroso é uma antologia, organizada por Henrique Rodrigues, editada pela Oficina Raquel Editora, que reúne 20 cartas sobre paixões, encontros e despedidas, com projeto gráfico de Raquel Matsushita. A diversidade de cartas são assinadas pelos autores: ANA PESSOA, BRUNO RIBEIRO, CLOTILDE TAVARES, CRISTIANE SOBRAL, EDNEY SILVESTRE, HENRIQUE RODRIGUES, JOÃO ANZANELLO CARRASCOZA, JACQUES FUX, JESSÉ ANDARILHO, LUIZA MUSSNICH, MARCELA DANTÉS, MARCELO MOUTINHO, MÁRIO RODRIGUES, MATEUS BALDI, NATALIA BORGES POLESSO, NATALIA TIMERMAN, OLÍVIA NICOLETTI, PAULA GICOVATE, RENATA BELMONTE e TAYLANE CRUZ.

O livro vem encartado numa sobrecapa em forma de envelope, que, ao ser desdobrada, se revela a forma de um coração.

A sobrecapa-envelope traz o poema Todas as cartas de amor são ridículas, de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa), mencionado no texto de apresentação do livro. Em alusão ao poema, a própria forma de coração do envelope traz, propositalmente, um pouco desse “ridículo” do poema.

A disposição do título denota um movimento, algo vivo (e por vezes por caminhos desencontrados) nas histórias de amor. As cores trazem algo pulsante no contraste do rosa com tons de azul e roxo.
A letra O do título, em repetição, cria um padrão no qual se encontram, metaforizados pela letra, pessoas em todo tipo de relacionamento (pares, trios, em grupo), além dos indivíduos que se encontram sozinhos.

Capa aberta com orelhas
página de rosto

No miolo, trechos do poema de Álvaro de Campos se transformam em aberturas de capítulo numa organização conceitual dos textos.

Lançamento no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. SAVE THE DATE

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Desaforismos, uma geometria sensitiva, narrativa e lírica

por Maralto Edições

Desaforismos (Maralto Edições), de Raquel Matsushita, já nasce grande. O livro ganhou recentemente o prêmio Image of the Book 2020/2021 – concurso realizado pela Agência Russa de Imprensa e Comunicação de Massa e pela Associação de Artistas Gráficos de Moscou – e também o prêmio Cátedra/Unesco de Leitura, promovido pela PUC-RJ. A tiragem inicial é de 40 mil exemplares, pois foi adotado por escolas. Um bom começo para um livro que desafia o leitor logo na capa.

É comum, diante de um livro para crianças, a busca por classificações: poesia, narrativas ilustradas, recontos, lendas… Nem sempre é possível (e nem mesmo necessária) uma conclusão certeira e imediata sobre o gênero textual e livresco e, muitas vezes, os entendimentos vão sendo alterados ao longo das leituras: o que lemos como poesia, em um primeiro momento, se revela um aforismo, sem deixar de ser também uma narrativa, por exemplo. Desaforismos, de Raquel Matsushita, é um livro múltiplo cuja leitura pode seguir por muitos caminhos.

Já no título, a autora anuncia a brincadeira com os aforismos – um pensamento breve, um ditado, uma máxima –, com sinais invertidos, sugerindo sua negação. Este pode ser um caminho de leitura, sem dúvida: jogar com a desconstrução de pequenas frases-pensamento, com base em palavras e imagens. Mas é possível também seguir por outras vias, com ênfase nas associações mais comuns mobilizadas pelo centro do título que nos leva à rebeldia e a certo atrevimento. E isso nos aproxima, sem dúvidas, da poesia.

O curioso título logo se revela exigência para os leitores, que serão, inevitavelmente, convocados a se atrever na leitura, lendo, ouvindo e jogando com as muitas possibilidades ali guardadas. A cada virada de página, algo pisca para o leitor, chamando-o para ler, ver e ouvir de novo. Poemas, brincadeiras poéticas ou aforismos desconstruídos e reinventados, desaforo é não aceitar tantos convites.

Lirismo geométrico, por Rui de Oliveira

Não existe um objeto sem sujeito. Assim como não existe uma forma unicamente como forma, algo sem alma, que represente apenas a si próprio e para si próprio, sem aderência à história, aos sentimentos humanos ou mesmo à sociedade — em resumo, uma forma, natural ou geométrica, desprovida de qualquer simbolização. Isto não se realiza em termos humanos.
O homem, quando não entende a realidade diante de si, a simboliza. O que pretendo dizer é que as formas geométricas — com as intervenções figurativas que a designer e ilustradora Raquel Matsushita utiliza em seus livros — estão muito longe de serem minimalistas no sentido original dos objetivos da minimal art dos anos 1960, um movimento artístico ocorrido nos Estados Unidos em radical oposição ao expressionismo abstrato do pós-guerra, com seus emocionados excessos subjetivos.

Em todos os livros realizados pela artista, vemos uma geometria sensitiva, narrativa e lírica. Fato que a identifica, por exemplo, com as pinturas abstratas do uruguaio Torres García, caso ele pretendesse contar e descrever histórias.
Essa junção harmônica do informal com o formal, ou seja, da figura com a abstração, é um dos aspectos mais significativos de seus livros. A tipografia e as letras ganham som e humanidade e, principalmente, se tornam figurativas. Essa é uma das características básicas do trabalho da artista.


Outro aspecto que gostaria de destacar: o bom humor de seus livros. Nós contamos histórias por meio de antíteses e contrastes, o quente e o frio, a princesa dadivosa e a bruxa má, o plano liso e a textura. Nessa direção, é relevante observar no livro que a cor é usada como elemento básico da narração. Ao falar do amor em sua última ilustração, a artista esfria o fundo com o emprego de azuláceos. Em contraponto, as cores de cádmio, associadas ao amor, resplandecem, mesmo que pequenas. Portanto, concluímos que narrar é estabelecer uma dialética de opostos visuais.
Raquel sabe usar muito bem isso. Seus livros são um estuário, um espaço narrativo onde se encontram a ordem e a rebeldia.
Raquel Matsushita é, ao mesmo tempo, Apolo e Dionísio.

Rui de Oliveira é ilustrador, designer e escritor

Acróstico surpresa, por Guto Lacaz

O texto de quarta capa do livro é um inesperado acróstico de Guto Lacaz, que brinca com as letras a partir do nome da autora. O jogo com as letras se dá de forma concreta, com poesia, humor e um convite à liberdade.

Guto Lacaz é artista gráfico e artista plástico

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Aforismos desaforados

A festa de lançamento do livro Desaforismos (Maralto Edições) foi linda! Aconteceu na saudosa livraria Novesete, no finalzinho do ano passado, num lançamento coletivo com os queridos Alexandre Rampazo (Orbitar) e Daniela Galanti (Ninanão).

Cristiane Mateus, Daniela Galanti, Gislene Gambini, Alexandre Rampazo e Raquel Matsushita

Sob a edição de Cristiane Mateus, o livro sai pela Maralto Edições e pode ser comprado diretamente na loja da editora. Basta clicar aqui.

Desaforismos saiu nas recomendações do Jornal Rascunho deste mês de janeiro com a seguinte resenha:

Doze brincadeiras poéticas compõem esta obra infantojuvenil, que sai com tiragem de 40 mil exemplares e venceu o prêmio russo Image of the Book 2020/2021. A proposta do livro, que não se permite classificar nem entrega seus múltiplos significados com facilidade, é que o jovem leitor possa ir e voltar pelas páginas quantas vezes forem necessárias, criando e recriando significados para o conjunto de palavras e ilustrações elaborado pela colaboradora do Rascunho. A partir de uma brincadeira feita já no título, em que o modelo do aforismo é anulado, o conjunto preza por uma leitura ativa. “Este pode ser um caminho de leitura, sem dúvida: jogar com a desconstrução de pequenas frases-pensamento, com base em palavras e imagens”, define a Maralto, responsável pela edição da obra. “Mas é possível também seguir por outras vias, com ênfase nas associações mais comuns mobilizadas pelo centro do título que nos leva à rebeldia e a certo atrevimento. E isso nos aproxima, sem dúvidas, da poesia.”

Compartilho aqui um pouco da alegria que foram os encontros deste evento. Obrigada a todos que foram nos prestigiar e fizeram desse dia, um momento de celebração e afeto.

As fotos são do sempre ótimo Alírio de Castro.
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O nascimento de uma marca

Como nasce uma marca? Qual o caminho para criar um nome para um selo literário? Neste post, com depoimentos de todas as pessoas envolvidas no processo, você acompanha o surgimento de Maralto Edições.

A tarefa do naming (criação do nome) ficou por conta de Magno Silveira (magnostudio.com.br). Já o desenho da marca, ficou nas mãos de Raquel Matsushita. No entanto, o processo de desenvolvimento da marca foi um trabalho realizado em equipe, com muitas trocas de ideias, ao lado da editora de literatura Cristiane Mateus.

Segundo a editora: “Queríamos um nome com alguma referência literária relevante, mas não óbvia. Precisava dialogar com o símbolo, a metáfora, a abstração. Não poderia ser um nome entregue de bandeja ao leitor. A boa literatura nos escapa, um bom nome deveria seguir essa premissa.”.

A casa editorial publica livros literários para a infância, juvenis e adulto. Sendo assim, a marca deve contemplar todos os públicos.

Parte I – Em busca do nome

Nas palavras de Magno Silveira: “Construir marcas é estimulante e desafiador. A começar pela criação do nome, atividade chamada naming. Como todos os dias surgem marcas nos mais diversos segmentos, dar nome a um empreendimento tornou-se algo que exige um roteiro, uma técnica mínima que seja. Começo sempre pelo entendimento do negócio e pela pesquisa das marcas existentes no mercado – neste caso, nas editoras.

Uma vez entendido o objetivo do projeto, que precisa atender questões como o posicionamento da editora e a gama de leitores que pretende abarcar, é hora de saber a qual categoria o nome deverá pertencer. Basicamente, as categorias de nome são: real, simbólico e imaginário. Atualmente a tendência são os nomes simbólicos ou imaginários. Um dos motivos é que essas são as categorias com maiores chances de se obter registro no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) e nos domínios de internet (site e redes sociais). Os nomes de categoria real, pelo contário: são comuns, pouco criativos e, portanto, mais difíceis de registrar.

Além disto, nomes das categorias simbólico e imaginário são os que proporcionam uma comunicação mais criativa e diferenciadora. Portanto, determinamos que o nome da editora deveria ser da categoria imaginário. Entram em cena dicionários de vários idiomas (tentamos diversos nomes em tupi-guarani, inclusive), romances, poemas… livros, enfim.

Eis que surge, vinda de um poema de Drummond, a palavra Maralto. Inexistente no dicionário, a palavra é uma aglutinação de “mar alto”, alto mar. A sua sonoridade é repleta de lirismo onde a sílaba tônica “-ral” traz o ápice, o alto, o longínquo; e a sílaba átona “-to” colabora para que uma vastidão se estabeleça. Maralto.

Maralto é alto mar onde vaga o leitor, é onde as letras mergulham brincando de peixes reluzentes. Maralto também é editora e livro, um barco capaz de levar a horizontes novos e surpreendentes. Maralto, ainda, é uma enseada tranquila onde livros arriam as velas e aportam.”

Parte II – O desenho da marca

A partir da definição do nome, inicia-se o processo de criação da marca. Na concepção de mar alto, a porção do mar afastada da costa ou do limite à beira-mar, vem a ideia da navegação, da viagem, de um mergulho nas profundezas. Mar alto… é nele, em sua profundeza, onde navega a literatura.

O símbolo da marca, apresentado de forma estilizada, é um peixe, aquele que navega no mar. A associação proposta traz a metáfora do mar como literatura e o peixe como leitor.

A tipografia do lettering tem como base de construção as formas geométricas básicas, sem serifa e alta legibilidade, mesmo quando aplicada em versão pequena.

Foram criadas versões para usos específicos. A versão sem tagline, mais limpa, é aplicada na capa dos livros. A versão com tagline é usada na página de créditos e material institucional. O símbolo é aplicado na lombada e no colofón.

Cores

A marca possui uma cor específica apenas para uso institucional: um azul profundo.

Para a aplicação na capa de livros não há uma cor fixa, ela varia de acordo com o meio colorístico em que se encontra. As cores escolhidas devem sempre garantir boa legibilidade.

Para livros de literatura adulta e juvenil, a marca é aplicada em uma única cor.

Já para literatura para infância, a marca é aplicada em duas cores: uma no símbolo e outra no lettering.

A seguir, algumas capas de livros com a marca aplicada.

Nas palavras finais de Cristiane Matues, “assim, nasceu a Maralto Edições. E para todos aqueles que, além dos livros, amam o mar, sua concretude exuberante, vai no nome que escolhemos um duplo regalo!”

Bichos bichentos melequentos

Bichos bichentos, saiam dos lixos! Baratas, me deixem ver suas patas! Bichos bichentos, novo livro escrito por Claudio Fragata, ilustrado por Raquel Matsushita e editado pela Editora Moderna, é um abecê de criaturas esquisitas, melequentas e curiosas.

Quarta capa do livro pelo olhar de Lalau

“Desconfio que as letras têm lá seus dias bons e ruins. A letra a, por exemplo, pode estar alegre hoje e angustiada amanhã. A letra b pode achar tudo muito bonito ou fazer uma bagunça no que a gente acabou de escrever. Por isso, não é fácil fazer livro sobre o alfabeto. Mas o Cláudio e a Raquel deixam tudo mais criativo e divertido.
Aqui, cada letra é uma surpresa poética e visual. O Cláudio faz poemas de tudo quanto é jeito: haicai, acróstico, trava-língua e outros. A Raquel desenha até um dinossauro usando só as palavras!
Bichos bichentos é uma experiência incrível. Você vai conhecer coisas bem legais sobre criaturas esquisitas, melequentas e curiosas. Você sabia que a ameba é inteligente? Que o camaleão é um animal mágico? Que kiwi também é nome de uma ave? E eles ainda tiveram a ótima ideia de colocar as mãozinhas do alfabeto em Libras (Língua Brasileira de Sinais), pra todo mundo aprender.
O Claudio e a Raquel adoram as letras. Ou as letras adoram a Raquel e o Claudio? Acho que as duas coisas.”
Lalau é poeta, autor de Brasileirinhos, A última árvore do mundo, entre outros, sempre em
parceria com a ilustradora Laurabeatriz. 

Conversando sobre o livro, pelo olhar de Marisa Lajolo

“Abrir este livro é entrar num mundo habitado por vinte e seis criaturas. Algumas mais familiares, outras menos. Bichos de pelo, de penas, de escamas. Ao longo do livro, em suas sofisticadas páginas, cada bicho recebe um belo poema e lindas  imagens.
Desde o título, definem-se as personagens, tratadas coletivamente pela expressão que batiza o livro: Bichos bichentos. Esta expressão já sugere tanto a natureza do conteúdo (bichos) quanto o espírito brincalhão que preside sua apresentação: o humor e as brincadeiras com a linguagem, que criam palavras e alteram outras quando necessário. Bichentos ilustra isso: em sua sonoridade, insinua alguns de seus possíveis significados.
Na abertura do livro, uma figura humana: o senhor Anacleto. Comprido e magro, cabe a ele o papel de cicerone do leitor. A ele é atribuída a ideia de organizar o desfile dos Bichos bichentos a que assistimos ao longo da leitura.

Na organização do desfile, a sequência alfabética é o critério escolhido: a abertura fica a cargo de uma ameba e o encerramento fica por conta da zabelê, cumprindo-se assim a tarefa do senhor Anacleto, anunciada na estrofe de abertura: “soletrar o alfabeto”. 
Bichos e humor seduzem leitores, maiores e menores de idade. Nas páginas que seguem, a sedução aumenta à medida que a leitura decorre, em função da originalidade dos bichos que protagonizam o livro: em vez de abelha, uma ameba para a letra A. Em vez de um elefante, uma enguia para a letra E. E assim vai…
Esta organização alfabética rende. A cada bicho, corresponde uma imagem grande da inicial de seu nome. E a cada uma destas vinte e seis letras, em outra imagem, o sinal da Língua Brasileira de Sinais (Libras) que corresponde a seu som. 
Este é o primeiro diálogo que o livro estabelece: Libras e alfabeto. Mas há outros.


Leitores são frequentemente interpelados nos poemas, e os animais são também interlocutores. Nos diálogos com o leitor constrói-se um clima de solidariedade entre a voz que conduz o livro e quem o lê. A informalidade do tratamento, que simula uma conversa, favorece a adesão do leitor: “A gente é que não vê”, “você já parou pra pensar”, “podem procurar”.
Além do leitor, os bichos bichentos também são interlocuto-res da voz condutora do livro. Este diálogo é sofisticado: parece às vezes simular falas que o leitor poderia ter com os animais, funcionando como uma espécie de interpretação da relação leitor/animal tematizada: “cai fora, bicho bobalhão”, “vejo você, ornitorrinco”, “ei, urubu-rei”.
Essa pluralidade de vozes que comparece ao livro expressa–se também ao nível formal: rimas, repetições de palavras, trocadilhos conferem aos poemas extrema sonoridade. Como se trata de estrofes com diferentes tamanhos de versos e de versos com diferentes números de sílabas, a sonoridade dos poemas se constrói de maneira discreta: rimas internas, trocadilhos, repetição de sons em diferentes partes dos versos, repetições simétricas.


Esta extrema originalidade do texto que sua sonoridade expressa também se manifesta na distribuição gráfica das palavras: nem sempre as sentenças são escritas em linhas retas horizontais: muitas vezes, os versos aparecem em diagonal na página, outras vezes assumem formas circulares, outras ainda seguem o contorno da imagem do bicho que o poema tematiza. 
Seguindo, em várias ocasiões, movimentos sugeridos pela imagem que representa o bicho, esse procedimento assegura uma mais do que bem-vinda e sofisticada articulação entre forma e conteúdo, um dos traços mais importantes na produção poética.  
Característica de uma das tendências da melhor poesia contemporânea, esse procedimento reforça a alta qualidade do trabalho que Claudio Fragata e Raquel Matsushita oferecem aos leitores neste livro.”

Marisa Lajolo nasceu em São Paulo, em 1944. Cursou Letras na Universidade de São Paulo, onde também concluiu mestrado e doutorado em Letras, Teoria Literária e Literatura Comparada sob orientação de Antonio Candido. Fez Pós-Doutorado na Brown University e vários estágios de pesquisa na Biblioteca Nacional de Lisboa, na Biblioteca Sainte-Geneviève (Paris) e na John Carter Brown Library. Foi professora Titular do Departamento de Teoria Literária da Unicamp. Atualmente é professora da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Suas atuais linhas de pesquisa recobrem interesse por Teoria Literária e Literatura Brasileira, atuando principalmente nas áreas de história da leitura, literatura infantil e/ou juvenil e Monteiro Lobato. Publicou vários livros, artigos em revistas especializadas no Brasil e no exterior, além de ter organizado inúmeras antologias.

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Um pequeno príncipe prosaico

O pequeno príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, com tradução de Ivo Barroso e ilustrações de Raquel Matsushita, sai agora pela Faria e Silva Edições.

Foi grande o desafio para ilustratar o novíssimo O pequeno príncipe. A primeira inspiração foi o próprio texto do Ivo que traduz de forma ainda mais afetiva e próxima a narrativa de Exupéry. A partir daí, explico no texto abaixo, que também se encontra no final do livro, o caminho para as ilustrações.

Eis a face de uma ilustração

Senti uma grande responsabilidade ao criar as imagens para este livro, cujas aquarelas de Antoine de Saint-Exupéry, tatuadas em nosso inconsciente, fazem parte da infância de muitas gerações. Como desenhar um novo pequeno príncipe no qual eu mesma pudesse acreditar?

A primeira providência foi ler Terra dos homens. Publicado em 1939, o livro narra as memórias de Saint-Exupéry quando foi piloto do correio aéreo francês. Minha suspeita de que O pequeno príncipe, se não fosse ficção, poderia ser um capítulo de Terra dos homens, se confirmou pelo modo particular, fascinante e sensível do autor em iluminar, por meio de aventuras literárias, o bem e o mal da natureza humana. Na última página do livro, numa viagem de trem, o narrador escreve:

“Sento-me diante de um casal. Entre o homem e a mulher, a criança, bem ou mal, havia se alojado e dormia. Volta-se, porém, no sono, e seu rosto me aparece sob a luz da lâmpada. Ah, que lindo rosto! Havia nascido daquele casal uma espécie de fruto dourado. Daqueles pesados animais havia nascido um prodígio de graça e encanto. Inclinei-me sobre a fronte lisa, a pequena boca ingênua. E disse comigo: eis a face de um músico, eis Mozart criança, eis uma bela promessa da vida. Não são diferentes dele os belos príncipes das lendas. Protegido, educado, cultivado, que não seria ele? Quando, por mutação, nasce nos jardins uma rosa nova, os jardineiros se alvoroçam. A rosa é isolada, é cultivada, é favorecida. Mas não há jardineiros para os homens.” (tradução de Rubem Braga).

Fantasiei que o pequeno príncipe de Saint-Exupéry nasce no instante em que a luz da lâmpada ilumina o rosto daquele menino. Ao conceber o personagem, o escritor o protegeu, o educou e o cultivou. Responsável para sempre por tudo o que tenha cativado, Saint-Exupéry escreve a história do pequeno príncipe, publicada em 1943, tornando-se um clássico mundial.

A ideia de que qualquer um de nós pode ser um pequeno príncipe, um pequeno Mozart, uma rosa nascida por mutação, muito me intrigou. A potência dentro de nós, que se revela a cada dia, a cada noite dormida, a cada viagem de trem, a cada leitura de um livro, é a própria promessa de uma vida. 

Assisti a documentários para conhecer a infância de Mozart, assim como filmes biográficos do próprio Saint-Exupéry. Esse foi o terreno fértil que preparei para criar este pequeno príncipe: um personagem prosaico, que poderia habitar o corpo de qualquer criança. Os pequenos príncipes, os pequenos Mozarts, estão à nossa volta; inclusive pode ser você, caro leitor. 

Incorporei o uso do papel carbono amassado e passado a ferro, técnica que se aproxima esteticamente da gravura. Com um pouco de abstração nas imagens, convido a diferentes leituras, a liberdade para cada um interpretar a seu modo. Na capa, por exemplo, a rosa pode estar numa redoma ou sobre um planeta; na frente de uma pedra ou naquilo que você imaginar.

Juntos, os pequenos príncipes que vivem em nós e que não abdicam jamais de uma resposta depois de haver feito uma pergunta, criam leituras particulares desta obra repleta de metáforas, que instiga às mais livres reflexões.

Dedico este livro a Ionit Zilberman e a Rui de Oliveira, planetas que tanto amo habitar. 

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coleção Cornélio Penna

Coleção Cornélio Penna (Faria e Silva Editora) sai agora com seis volumes, sendo um deles, o caderno de desenho e pintura do autor.

Os desenhos de Cornélio foram utilizados para compor a capa de toda coleção. A paleta é composta por 6 cores que trabalham em sistema de duos nas capas: vermelho com ouro; azul com prata; bege com preto. O branco (do papel) e o preto também atuam como cor-base.

Os desenhos em traço preto e em negativo também foram utilizados nas páginas de rosto, assim como os originais datilografados com rasuras e correções do próprio autor.

A coleção foi impressa em uma cor no miolo (preto) em papel pólen, com exceção do livro Caderno de pinturas e desenhos, impresso em 4 cores em couchê fosco.

Foi criada uma luva (box), impressa em 3 cores, para acomodar todos os livros da coleção.

Para ver mais sobre a coleção, visite o site da Entrelinha Design.

Itamar para crianças

Nasce a coleção Itamar para crianças, o primeiro livro é Bicho-homem, homem-bicho (Editora Caixote), com ilustrações de Dalton Paula e projeto gráfico de Raquel Matsushita. Uma alegria enorme participar desse projeto e reviver o grande Itamar Assumpção na versão escritor para crianças.

Projeto visual musical

Criei uma playlist particular com as músicas que mais gosto do Itamar. Nesse ambiente musical, comecei a pensar no caminho para o projeto gráfico do livro.

A capa dura traz um gato (ou será Itamar na versão animal?) vestindo os lendários óculos do artista. Na guarda, pensando no back vocal das Orquídeas, o título do livro se repete com em coro e invade a página de rosto, já mais sereno.

Assim como a cadência de uma música, as viradas de páginas têm um ritmo compassado, que num dado momento da narrativa, se modifica.

As páginas duplas ganharam cores do lado par (texto) e um fundo neutro para as ilustrações. As cores da paleta têm como base as ilustrações em aquarela do Dalton Paula, que abrem ainda mais camadas de leitura do texto verbal, num belo casamento.

Para ver mais, visite o site da Entrelinha Design.

bate-papo sobre o mínimo múltiplo comum

Nessa sexta, dia 26/03/21, às 19h30, estarei na live do Clube Literário do Centro Cultural Fiesp. A conversa será ao vivo pelo Youtube do Centro Cultural Fiesp.

Vamos? Link da transmissão: https://www.youtube.com/watch?v=jKAV10W9mbY 

Ganhei essa resenha-ouro de presente do meu querido e admirado escritor Jacques Fux.

Livro: Mínimo Múltiplo Comum
Autora: Raquel Matsushita
Editora: Sesi-SP, 2018

No texto “Eu e ela”, de Natalia Ginzburg, publicado em seu encantador As pequenas virtudes, a narradora constrói com maestria e sutileza, uma relação amorosa que hoje chamaríamos de “tóxica”: “Ele não melhora, em mim, a indecisão, a incerteza em cada ação, o sentimento de culpa. Costuma rir e caçoar por qualquer coisa que faço. Se vou às compras no mercado, ele às vezes me segue, escondido, e me espia. Depois debocha de mim pelo modo como fiz as compras, como sopesei as laranjas na mão, escolhendo cuidadosamente, ele diz, as piores de todo o mercado, zomba porque demorei uma hora nas compras, comprei cebolas numa banca, em outra aipo, em outra as frutas. Às vezes é ele quem faz as compras, para me mostrar como se pode fazê-lo muito mais rápido: compra tudo numa única banca, sem titubeio; e consegue que mandem o cesto para casa. Não compra aipo, porque não o suporta”. No belo livro de Raquel Matsushita, Mínimo Múltiplo Comum, há também um texto, “Meu melhor amigo”, que, com a mesma cadência e singeleza de Ginzburg, nos açoita, espanta e nos incomoda: “Quando conheci meu melhor amigo, brincava sozinha no parquinho do prédio. Me mostra o que você sabe fazer nesse trepa-trepa, ele falou. Ficou bobo e até aplaudiu quando fiquei de cabeça para baixo! Depois de um tempo, ele me convidou para tomar chá da tarde com bolo e tudo na casa dele. Eu não quis porque não gosto de chá. Então ele trocou por suco de uva. Uma delícia. Perguntou o que não podia comer na minha casa. O leite condensado, mamãe não compra, diz que não serve para nada, só para engordar. Na segunda vez que me chamou tinha bolo formigueiro, suco de uva e leite condensado”.  

Os mínimos relatos com múltiplas leituras e sensações que, muitas vezes, também nos são comuns, permeiam o belo trabalho da autora. Escritos com aparente simplicidade, com cadência e singeleza espoem e desnudam os textos-corpos do livro – não por acaso: o próprio design e a concepção da parte visual do livro são de impressões do próprio corpo, da pele crua e nua, da epiderme ampliada, rasgada e estilizada da autora. Raquel Matsushita é designer e ilustradora premiada, autora de livros para crianças e adultos. Vencedora de dois Jabutis e os prêmios da Biblioteca Nacional e da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).

E assim, com uma voz potente e feminina, a narradora descreve a sua visão do mundo a partir dos mínimos atos e fatos que perpassam e engrandecem os sentimentos dos seres humanos.   

Para o escritor João Anzanello Carrascoza: “Mínimo: porque agrupa um conjunto de contos de curta extensão, cortantes em seus desfechos. Porque diz o máximo com suas poucas palavras e seus imensos silêncios. Porque as frases, breves mas contundentes, armam com rapidez o cenário das tramas que nos sugam de imediato a atenção. Porque, no mínimo, traz uma nova voz à cena literária brasileira. Múltiplo: porque revela mais uma habilidade de Raquel Matsushita; a de criar narrativas para o leitor adulto, somando-se a seu talento de designer premiada (lindos são seus projetos editoriais) e à sua sensibilidade como autora de obras infantis. E, sobretudo, porque os contos exibem um variado espectro humano – pais, mães, tios, avós, amigos, amantes, flagrados em seus dias ordinários sob a ótica das inevitáveis (e, às vezes, brutas) mudanças. Comum: porque as histórias se alicerçam naquilo que é nuclear da condição humana – os sentimentos de posse, os desencantos, as traições, os embates cotidianos (prosaicos e profundos), e, igualmente, os instantes de comunhão, de contentamento, de êxtase, de alta voltagem erótica. Mínimo Múltiplo Comum: sal para os dias frios e insossos da nossa literatura.”

Além disso, a profundidade e diversidade dos textos nos coloca a pensar: como classificar o livro da autora? Contos, crônicas, sentimentos, sensações, invocações, provações, incitações, paixões? Importa classificar, afinal o Mínimo Múltiplo Comum é tudo isso junto e delicadamente misturado – e qualquer tentativa de classificação é limitadora, como prova Borges em seu famoso “O idioma analítico de John Wilkins” – utilizando seus recursos ficcionais e críticos, apresenta uma classificação ambígua, atribuindo a um certo Franz Kuhn, sinólogo contemporâneo: “a) pertencentes ao Imperador; b) embalsamados; c) domesticados; d) leitões; e) sereias; f) fabulosos; g) cães em liberdade; h) incluídos na presente classificação; i) que se agitam como loucos; j) inumeráveis; k) desenhados com um pincel muito fino de pelo de camelo; l) et caetera, m) que acabam de quebrar a bilha; n) que de longe parecem moscas.”

Mínimo Múltiplo Comum é um livro delicado, sensível, sutil – um trabalho que convida o leitor a perscrutar o próprio corpo e sua visão de mundo; uma busca pelo que é comum, múltiplo e mínimo, embora vasto e único.  

Jacques Fux