Sobre entrelinhadesign

Criado em 2001 por Raquel Matsushita, Entrelinha é um escritório de design gráfico localizado em São Paulo. Graduada em Publicidade e Propaganda pela Universidade Metodista de São Paulo, Raquel especializou-se nos cursos de Design gráfico, Cor e Tipografia na School of Visual Arts, de Nova York, onde também foi colaboradora do escritório de design Linda Kosarin Studio. Trabalhou como editora de arte nas editoras Abril e Globo. Ministra aulas como convidada em cursos de pós-graduação, extensão, graduação e congressos nas instituições de ensino superior Vera Cruz, A Casa Tombada, ECA-USP, Casa Educação, Sesc, entre outros.

Itamar para crianças

Nasce a coleção Itamar para crianças, o primeiro livro é Bicho-homem, homem-bicho (Editora Caixote), com ilustrações de Dalton Paula e projeto gráfico de Raquel Matsushita. Uma alegria enorme participar desse projeto e reviver o grande Itamar Assumpção na versão escritor para crianças.

Projeto visual musical

Criei uma playlist particular com as músicas que mais gosto do Itamar. Nesse ambiente musical, comecei a pensar no caminho para o projeto gráfico do livro.

A capa dura traz um gato (ou será Itamar na versão animal?) vestindo os lendários óculos do artista. Na guarda, pensando no back vocal das Orquídeas, o título do livro se repete com em coro e invade a página de rosto, já mais sereno.

Assim como a cadência de uma música, as viradas de páginas têm um ritmo compassado, que num dado momento da narrativa, se modifica.

As páginas duplas ganharam cores do lado par (texto) e um fundo neutro para as ilustrações. As cores da paleta têm como base as ilustrações em aquarela do Dalton Paula, que abrem ainda mais camadas de leitura do texto verbal, num belo casamento.

Para ver mais, visite o site da Entrelinha Design.

bate-papo sobre o mínimo múltiplo comum

Nessa sexta, dia 26/03/21, às 19h30, estarei na live do Clube Literário do Centro Cultural Fiesp. A conversa será ao vivo pelo Youtube do Centro Cultural Fiesp.

Vamos? Link da transmissão: https://www.youtube.com/watch?v=jKAV10W9mbY 

Ganhei essa resenha-ouro de presente do meu querido e admirado escritor Jacques Fux.

Livro: Mínimo Múltiplo Comum
Autora: Raquel Matsushita
Editora: Sesi-SP, 2018

No texto “Eu e ela”, de Natalia Ginzburg, publicado em seu encantador As pequenas virtudes, a narradora constrói com maestria e sutileza, uma relação amorosa que hoje chamaríamos de “tóxica”: “Ele não melhora, em mim, a indecisão, a incerteza em cada ação, o sentimento de culpa. Costuma rir e caçoar por qualquer coisa que faço. Se vou às compras no mercado, ele às vezes me segue, escondido, e me espia. Depois debocha de mim pelo modo como fiz as compras, como sopesei as laranjas na mão, escolhendo cuidadosamente, ele diz, as piores de todo o mercado, zomba porque demorei uma hora nas compras, comprei cebolas numa banca, em outra aipo, em outra as frutas. Às vezes é ele quem faz as compras, para me mostrar como se pode fazê-lo muito mais rápido: compra tudo numa única banca, sem titubeio; e consegue que mandem o cesto para casa. Não compra aipo, porque não o suporta”. No belo livro de Raquel Matsushita, Mínimo Múltiplo Comum, há também um texto, “Meu melhor amigo”, que, com a mesma cadência e singeleza de Ginzburg, nos açoita, espanta e nos incomoda: “Quando conheci meu melhor amigo, brincava sozinha no parquinho do prédio. Me mostra o que você sabe fazer nesse trepa-trepa, ele falou. Ficou bobo e até aplaudiu quando fiquei de cabeça para baixo! Depois de um tempo, ele me convidou para tomar chá da tarde com bolo e tudo na casa dele. Eu não quis porque não gosto de chá. Então ele trocou por suco de uva. Uma delícia. Perguntou o que não podia comer na minha casa. O leite condensado, mamãe não compra, diz que não serve para nada, só para engordar. Na segunda vez que me chamou tinha bolo formigueiro, suco de uva e leite condensado”.  

Os mínimos relatos com múltiplas leituras e sensações que, muitas vezes, também nos são comuns, permeiam o belo trabalho da autora. Escritos com aparente simplicidade, com cadência e singeleza espoem e desnudam os textos-corpos do livro – não por acaso: o próprio design e a concepção da parte visual do livro são de impressões do próprio corpo, da pele crua e nua, da epiderme ampliada, rasgada e estilizada da autora. Raquel Matsushita é designer e ilustradora premiada, autora de livros para crianças e adultos. Vencedora de dois Jabutis e os prêmios da Biblioteca Nacional e da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).

E assim, com uma voz potente e feminina, a narradora descreve a sua visão do mundo a partir dos mínimos atos e fatos que perpassam e engrandecem os sentimentos dos seres humanos.   

Para o escritor João Anzanello Carrascoza: “Mínimo: porque agrupa um conjunto de contos de curta extensão, cortantes em seus desfechos. Porque diz o máximo com suas poucas palavras e seus imensos silêncios. Porque as frases, breves mas contundentes, armam com rapidez o cenário das tramas que nos sugam de imediato a atenção. Porque, no mínimo, traz uma nova voz à cena literária brasileira. Múltiplo: porque revela mais uma habilidade de Raquel Matsushita; a de criar narrativas para o leitor adulto, somando-se a seu talento de designer premiada (lindos são seus projetos editoriais) e à sua sensibilidade como autora de obras infantis. E, sobretudo, porque os contos exibem um variado espectro humano – pais, mães, tios, avós, amigos, amantes, flagrados em seus dias ordinários sob a ótica das inevitáveis (e, às vezes, brutas) mudanças. Comum: porque as histórias se alicerçam naquilo que é nuclear da condição humana – os sentimentos de posse, os desencantos, as traições, os embates cotidianos (prosaicos e profundos), e, igualmente, os instantes de comunhão, de contentamento, de êxtase, de alta voltagem erótica. Mínimo Múltiplo Comum: sal para os dias frios e insossos da nossa literatura.”

Além disso, a profundidade e diversidade dos textos nos coloca a pensar: como classificar o livro da autora? Contos, crônicas, sentimentos, sensações, invocações, provações, incitações, paixões? Importa classificar, afinal o Mínimo Múltiplo Comum é tudo isso junto e delicadamente misturado – e qualquer tentativa de classificação é limitadora, como prova Borges em seu famoso “O idioma analítico de John Wilkins” – utilizando seus recursos ficcionais e críticos, apresenta uma classificação ambígua, atribuindo a um certo Franz Kuhn, sinólogo contemporâneo: “a) pertencentes ao Imperador; b) embalsamados; c) domesticados; d) leitões; e) sereias; f) fabulosos; g) cães em liberdade; h) incluídos na presente classificação; i) que se agitam como loucos; j) inumeráveis; k) desenhados com um pincel muito fino de pelo de camelo; l) et caetera, m) que acabam de quebrar a bilha; n) que de longe parecem moscas.”

Mínimo Múltiplo Comum é um livro delicado, sensível, sutil – um trabalho que convida o leitor a perscrutar o próprio corpo e sua visão de mundo; uma busca pelo que é comum, múltiplo e mínimo, embora vasto e único.  

Jacques Fux

Alegria altamente recomendável

Dois livros produzidos aqui na Entrelinha receberam o selo de Altamente recomendável da FNLIJ. Alegria pura!

O enigma do infinito
texto de Jacques Fux e ilustração de Raquel Matsushita
projeto gráfico: Entrelinha Design
Editora Positivo

Mais sobre o livro aqui.

Era uma vez 20 – Pequenas histórias de 10 grandes brasileiras(os) que marcaram o Brasil
texto de Luciana Sandroni e ilustrações de Natalia Calamari e Guilherme Karsten
projeto gráfico: Entrelinha Design
Editora Escarlate

Mais sobre o livro aqui.

literatura em debate na PUC

Para quem não pode acompanhar a nossa mesa, está gravada aqui.

Uma honra participar! Obrigada, querida Diana Navas e a todos envolvidos da excelente Pós em literatura da PUC, aos colegas maravilhosos de mesa e a todos que nos acompanharam calorosamente nesse encontro.

Ana Maria Ramos
Dora Baseio
João Carrascoza
Raquel Matsushita
Diana Navas

Uma manhã de muito aprendizado para mim! Obrigada a todos.

mesa literária na PUC

Quinta, dia 24.09.20, das 9h às 12h, com muita alegria, participo de uma mesa no congresso de Literatura da PUC, ao lado de João Carrascoza, Ana Margarida Ramos, Maria Auxiliadora Baseio, com mediação de Diana Navas. Basta acessar esse link: https://bit.ly/mesa2_dia24

Nos vemos lá. On-line! Gratuito!

As mesas dos dias anteriores estão disponíveis no site do congresso. Vale muito assistir!

fada do dente em podcast

O conto Fada do dente, do livro Mínimo múltiplo comum (Sesi-SP Editora) no podcast O Prazer de ler, de Oscar Garcia. Vale muito seguir o podcast, muita gente legal por lá. Convido a todos, com muito carinho!


Repost from @oscargbr1

Acabou de sair! Novo episódio do Podcast O Prazer de Ler!
Episódio 31.
Fada do dente!!! De @raquel_matsushita!
O conto foi retirado do livro: Mínimo múltiplo comum da @sesispeditora
Uma bela, reflexiva e sensível história. Dá vontade de ler o livro inteiro!! E que bela obra!!!
E Raquel ainda conta de onde veio a inspiração para escrever e ilustrar o livro e muito mais!
Boa leitura a todos!

Ilustrações com tecido

Aqui conto um pouco sobre o processo de criação das ilustrações com tecido para a coleção Monteiro Lobato, com adaptação de Silvana Salerno e Fernando Nuno, da Editora do Brasil.

A Emília foi feita pela tia Nastácia com retalhos de tecidos. A ideia do retalho, metamorfosear sobras em matéria-prima, me agrada muito e foi o caminho que escolhi para criar as ilustrações. Uma espécie de homenagem à tia Nastácia. Foi, portanto, numa loja de tecidos que montei a paleta de cor. Meus lápis foram os fios, arremates e tesoura. Minhas tintas foram os tecidos variados que, desfiados e cortados, se transformaram em vida. Escolhi tecidos de puro afeto, com estampas, transparências e rendas que nos dão novo significado sendo rios, árvores, personagens.

Paleta de cor para Reinações de Narizinho
Paleta de cor para Viagem ao céu

Escolhi duas paletas de cores diferentes para cada livro. O contexto do livro Viagem ao céu pedia cores mais escuras. Além do mais, os personagens mudaram de roupa de um livro para o outro.

Capa

Cortei os tecidos e montei as ilustrações em tamanho natural. Com a ajuda de uma máscara com o formato do livro, me guiei para seguir as proporções do rafe das ilustrações, feitos anteriormente à lápis. O lettering da capa foi inserido depois, digitalmente.

Capa: o tecido reserva espaço para o texto de quarta capa
Capa de Viagem ao céu: paleta com cores mais escuras

Corte e recorte

Montei os personagens diretamente nos cenários, quando possível. Quando os personagens entram muito pequenos na cena, fiz separadamente para depois diminuí-los no computador e aplicá-los na cena. O corte com a tesoura não comportou os detalhes quando tentei fazer os personagens pequenos.

Cenário e personagem (quando entrou pequeno)
Imagem finalizada
Imagem finalizada

Os tecidos não foram colados para que garantissem o volume e a sombra desejados. Depois de montadas, as ilustrações foram fotografadas, tratadas e finalizadas no computador.

Projeto gráfico

Busquei referências visuais das obras de Lobato, desde o tempo dos chamados “livros escolares”. Eram pequenos livros com histórias que ele escreveu e que, mais tarde, foram reunidos num só volume: Reinações de Narizinho, em 1931. Cito algumas referências que encontramos nesse projeto como, por exemplo, o formato. Nosso livro é maior, mas mantém a mesma  proporção dos livros escolares. Possui captulares desenhadas, que são também narrativas. Nos textos iniciais e finais usei moldura e adornos, próprios do estilo art deco, assim como na tipografia. Tudo isso são referências, no entanto, como o próprio nome diz, referência é o ato de contar. E assim, ganho a liberdade de contar, à minha maneira, o clássico com uma linguagem contemporânea.

Captulares narrativas
Arquivo final inserido na página de rosto

Coleção Lobato

A primeira leva da obra reeditada de Monteiro Lobato pela Sesi-SP Editora traz oito livros. Para cada volume, foi convidado um ilustrador. Participaram desse projeto artistas brasileiros e portugueses. Nesse lote, os ilustradores foram: Anabella López, Cátia Vidinhas, David Penela, Guazzelli, Jorge Mateus, José Saraiva e Psonha. O projeto gráfico, criado pela Entrelinha, tem como referência a época áurea dos livros escolares criados por Lobato. O passado histórico foi redesenhado sob um viés contemporâneo.

As publicações dos chamados livros escolares de Lobato (1921 a 1931) foram a base de pesquisa para criação visual dessa coleção. A quarta capa é assinada por Magno Silveira, que deu todo o suporte para a pesquisa iconográfica do projeto.

Na capa, foi escolhida uma tipografia art deco no nome do autor, cujo desenho geométrico é potencializado pelo uso de duas cores. No título, foi aplicada uma tipografia racionalista que cabe para todos os volumes.

Cada livro possui um duo-base de cores trabalhado na capa e no miolo.

A partir das letras ML, foi criado um ex-libris – uma referência da época, conceito de propriedade (este livro pertence a…) –, com espaço para o leitor escrever o próprio nome. Esse ex-libris está impresso na primeira página do miolo.

Aplicação de moldura ilustrada com vinhetas no sumário e captulares marcantes no início dos capítulos – recursos utilizados nos livros escolares do Lobato – também foram transportados para esse projeto.

No miolo, foi aplicada uma tipografia contemporânea e serifada no texto, intercalado por ilustrações de página inteira.

As ilustrações de capa invadem também a quarta capa, trazendo ainda mais o leitor para a cena.

Vídeos para quarentena

Reuni alguns vídeos que fiz a convite de diferentes pessoas para falar de livros, projeto gráfico, ilustração, cores e aprendizados nessa quarentena. Tem também leituras de livros para ver com as crianças. Sigamos juntos em casa ❤️

Lançamento do livro Enigma do infinito
Jacques Fux e eu conversamos sobre literatura, matemática, processo de escrita e ilustração. Com a mediação de Carol Parrode.

Histórias para ver com as crianças
Vovô veio do Japão (Cia. das Letrinhas)
Claro, Cleusa. Claro, Clóvis (Editora do Brasil)

Dicas de leitura
Revista Emília
Livraria da Tarde

Entrevista com Claudio Fragata
Sobre o livro “O guarda-chuva que desenguardachuvou” (Editora Trioleca). O video foi gravado antes do confinamento, mas publicado na quarentena, para a quarentena:

Conversa com Penélope Martins
Sobre quarentena, processo de criação e mediação de livros, ilustração, cores e cozinha.

Processo de criação
Sobre o design da coleção Grua Guarda.

Bem-vindo em casa
Diagramação da quarentena na sala de casa, para o programa Campos das Artes.

nova editora, novos ares

Nasce uma nova editora para oxigenar nossa realidade. O desenho da marca e o design do site foram feitos pela Entrelinha.

A nova editora leva o sobrenome do editor: Faria e Silva. A marca do editor estará, portanto, impressa em todos os livros. A ideia do logotipo como um ex-libris (esse livro pertence a…) traz a presença do editor, como assinatura nos livros escolhidos para compor o catálogo da casa. 

Com foco em autores brasileiros, mas não limitado a eles, a editora está alicerçada em quatro eixos editoriais:

Texto em transe – literatura de autores contemporâneos, que tragam alguma disruptura, seja nos padrões estéticos e estruturais do gênero narrativo, seja no tema e teor ético abordados.

Lume novo – literatura dos futuros novos clássicos da literatura brasileira, com autores consagrados e ainda em franca atividade literária.

Tarumã (homenagem a inquebrantável árvore brasileira) – literatura dos autores clássicos e suas obras desconhecidas, seja ficção ou não ficção.

Camaleão – novelas gráficas ou história em quadrinhos autorais, conceituais e com traços e texturas diferenciadas, cada álbum assumirá uma identidade própria, assim também o logo do selo será adaptado a cada álbum.

O primeiro livro lançado na coleção Texto em transe será o Mundos de uma noite só, de Renata Belmonte. Tanto o desenho do selo quanto o projeto gráfico do livro são de autoria da Entrelinha.

A capa traz um relicário e na corrente desse objeto é que a história se mostra. Há, no desenho feito com a corrente, as três irmãs, os filhos, o casamento e as histórias entrelaçadas. Na orelha do livro, no desdobramento do relicário aberto, há uma foto, que pode ser interpretada de diversas maneiras, depois da leitura da obra.

O livro (que é arrebatador!) será lançado em março, o convite segue abaixo e estão todos convidados.