nova editora, novos ares

Nasce uma nova editora para oxigenar nossa realidade. O desenho da marca e o design do site foram feitos pela Entrelinha.

A nova editora leva o sobrenome do editor: Faria e Silva. A marca do editor estará, portanto, impressa em todos os livros. A ideia do logotipo como um ex-libris (esse livro pertence a…) traz a presença do editor, como assinatura nos livros escolhidos para compor o catálogo da casa. 

Com foco em autores brasileiros, mas não limitado a eles, a editora está alicerçada em quatro eixos editoriais:

Texto em transe – literatura de autores contemporâneos, que tragam alguma disruptura, seja nos padrões estéticos e estruturais do gênero narrativo, seja no tema e teor ético abordados.

Lume novo – literatura dos futuros novos clássicos da literatura brasileira, com autores consagrados e ainda em franca atividade literária.

Tarumã (homenagem a inquebrantável árvore brasileira) – literatura dos autores clássicos e suas obras desconhecidas, seja ficção ou não ficção.

Camaleão – novelas gráficas ou história em quadrinhos autorais, conceituais e com traços e texturas diferenciadas, cada álbum assumirá uma identidade própria, assim também o logo do selo será adaptado a cada álbum.

O primeiro livro lançado na coleção Texto em transe será o Mundos de uma noite só, de Renata Belmonte. Tanto o desenho do selo quanto o projeto gráfico do livro são de autoria da Entrelinha.

A capa traz um relicário e na corrente desse objeto é que a história se mostra. Há, no desenho feito com a corrente, as três irmãs, os filhos, o casamento e as histórias entrelaçadas. Na orelha do livro, no desdobramento do relicário aberto, há uma foto, que pode ser interpretada de diversas maneiras, depois da leitura da obra.

O livro (que é arrebatador!) será lançado em março, o convite segue abaixo e estão todos convidados.

Infinitos enigmas

O enigma do infinito, escrito por Jacques Fux e ilustrado por Raquel Matsushita (Editora Positivo) é um livro quebra-cabeça, cujas peças são pura matemática e literatura. Ao pensar no caminho para as ilustrações, mantive a referência dessas duas ciências que o texto traz.

A literatura é narrativa

Fui em busca de uma narrativa visual para os capítulos, que são pílulas independentes, mas possuem um fio condutor. A frase impressa na primeira página do livro dá uma dica ao leitor: “Queria a língua que se falava antes de Babel” (depoimento de Guimarães Rosa). Em seguida, há uma sequência de duas duplas ilustradas com lombadas de livros dispostos numa prateleira. Um deles, é o próprio Enigma do infinito, que se destaca por ser o único a estar inclinado. Entramos, então, na leitura do texto. No decorrer das páginas, o leitor atento percebe que os livros citados no texto são os mesmos dispostos na prateleira.

Cada capítulo ganha uma ilustração de abertura e uma dupla seguinte, que completa uma mini-narrativa visual (as cores e as captulares me ajudaram com isso). Temos, portanto, pequenas narrativas dentro de uma história maior.

Retomada da narrativa

O último capítulo traz a biblioteca de Babel como tema. A partir daí, há uma sequência só de imagens, que retoma as lombadas dos livros na prateleira. O enigma do infinito aparece, mas é o livro A biblioteca de Babel (do Borges) que agora ganha destaque pela inclinação. As páginas seguintes revelam, por se afastarem da prateleira, que estamos dentro da própria Biblioteca de Babel. A leitura do livro é, portanto, um passeio pela biblioteca, que contém todos os livros citados neste, que estamos lendo.

Carimbos modulares, combinações infinitas

A referência matemática aparece na geometria e ângulos das ilustrações. As imagens foram feitas com carimbos que fiz numa oficina, gravados a laser, com formas geométricas. Os carimbos são modulares e, por isso, dão margem para infinitas combinações. Com eles, criei imagens bastante figurativas, ainda que, alguns detalhes abstratos, no contexto, são inteligíveis como figura. Usei também carimbos tipográficos como suporte. As ilustrações são repletas de enigmas a serem descobertos pelo leitor.

Em “Era uma vez 20” um livro são dois

Era uma vez 20 (Editora Brinque Book, selo Escarlate) traz, de um lado, 10 grandes brasileiras que marcaram o Brasil. Do outro, os grandes brasileiros que fizeram história.

Escrito por Luciana Sandroni, o texto aborda breves biografias, retratadas por Natália Calamari (desenha os brasileiros) e Guilherme Karsten (desenha as brasileiras).

O livro é impresso com três pantones (laranja, verde e azul) e suas porcentagens e sobreposições. As cores ajudam o leitor a se localizar, já que na parte das mulheres a predominância é do laranja, enquanto na parte dos homens, é verde. Essa distinção é perceptível inclusive com o livro fechado, pela lateral das páginas. A cor azul entra como base na composição de ambos os lados.

Coleção | Grua Guarda |

Projeto gráfico para a coleção | guarda | da Editora Grua.

O logotipo da editora foi amplamente explorado na quarta capa, parte dele invade a primeira capa apenas para marcar o lettering: título e autor do livro saem da boca da imagem.

Foi aplicado uma textura ao fundo de cor para marcar a passagem do tempo, uma vez que a coleção é composta por livros já publicados anteriormente e renasce com uma nova roupagem. Por outro lado, gerando um equilíbrio no tempo, as cores vivas e saturadas dão o tom de contemporaneidade aos livros.

Cor e tipografia

A paleta de cor consiste num pantone + preto. O branco entra também como “cor”, portanto, o pantone deve garantir boa legibilidade tanto para o texto em preto quanto em branco.

A família tipográfica escolhida para a capa é um tipo contemporâneo. Por meio do alto contraste das astes (peso) faz-se a distinção da hierarquia do título e do autor, numa composição discreta e neutra para atender os diversos livros da coleção.

Parte do grafismo da primeira orelha invade a capa, além de compor com a primeira página do miolo. Esse grafismo foi criado a partir do desenho tipográfico do logo da editora.

A tipografia do miolo é uma serifada com boa legibilidade para garantir conforto na leitura. O livro é impresso em papel pólen.

Lançamento no dia 03/12/19, na Biblioteca Mário de Andrade, das 19h às 21h. Todos convidados!

O que pegamos emprestado dos outros?

Saindo do forno microondas e com cheirinho de pipoca o livro “O que pegamos emprestado dos outros” (Ed. Kapulana), texto de Marcelo Jucá e ilustrações de Raquel Matsushita.

Marcelo me convidou para ilustrar e fazer o projeto gráfico desse livro, quando o inscreveu no 2º edital de publicação de livros para autores não estreantes da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Ao ler o texto, fui parar em uma época bastante atribulada, para o bem e para o mal, da minha vida. Tive uma forte identificação com a personagem principal, Yasmin. Numa espécie de espelhamento, voltei para a minha adolescência e me lembrei de quando fazia a agenda do ano.

Me senti tão impactada pela leitura que aceitei na hora. Meses depois, ele volta com a notícia: o projeto foi contemplado no edital. Uma alegria! Chegou a hora, então, de pensar no projeto visual dessa obra infantojuvenil. Em paralelo, a editora Kapulana entrou como parceira na produção do livro.

Sempre que começo um trabalho de ilustração e de projeto gráfico, busco diversas referências que me ajudam a navegar mais fundo nos pensamentos. Para esse livro, saltaram de minhas lembranças as agendas que eu fazia todos os anos. Eram repletas de desenhos, reflexões e interrogações. Uma poluição visual que refletia as inquietações de dentro.

Corri para minhas agendas (sim, tenho tudo guardado) e, ao reviver aqueles momentos, incorporei Yasmin para criar as imagens do livro.

Minhas agendas

Sendo assim, peguei emprestada a personagem para ser a ilustradora. Com os olhos, traços e cores de Yasmin, revelo sentimentos, angústias e alegrias com os quais podemos nos identificar.

O projeto gráfico foi pensado em trazer as ilustrações em páginas duplas, uma vez que remetem à agenda da personagem aberta ao leitor (aliás, este era um dos prazeres da época: ler a agenda dos outros). Por meio das imagens, percebemos a personalidade de Yasmin, suas questões, suas manias (sempre com elementos recorrentes no traço da garota), suas angústias e suas alegrias.

A primeira página do livro é também a primeira página da agenda de Yasmin.

Em todos os desenhos há um elemento real sobre a agenda, que foram fotografados e inseridos na imagem. Há uma caneta bic (com a tampinha mordida, como é de se esperar…), com a qual Yasmin desenha a si própria. Há o fone de ouvido, pois ela tem na música uma forma de vida. Há pipocas em momentos difíceis, pois a pipoca, mais do que um alimento para o corpo, é um acalanto para a alma (coisa do pai dela).

O texto traz um viés social importante como pano de fundo. Yasmin vive dificuldades sociais (o pai está desempregado e a mãe trabalha fora o dia todo, a irmã…) e íntimas, típicas dessa fase de autoconhecimento, que na verdade não termina nunca, mas, na entrada da adolescência é um verdadeiro turbilhão de perguntas sem respostas (ou com muitas respostas, o que confunde mais ainda). Para potencializar esse cenário, busquei como referência elementos gráficos – como o grafite – e incorporei na ilustração.

Muros de grafite compõem o verso da capa

O lançamento do livro acontece no dia 19/10, sábado, das 11h às 13h, na Biblioteca Alceu Amoroso Lima (R. Henrique Schaumann, 777 Pinheiros).

Haverá um bate-papo entre Marcelo Jucá e eu, contaremos tudo sobre a construção do livro. Todos convidados!

O projeto “O que pegamos emprestado dos outros” foi contemplado pelo 2º edital de publicação de livros para autores não estreantes da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.